terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Um vôo tranquilo...

Diário de uma cearense traquina e super “de boa”...

Era o nosso último dia de viagem, quando tivemos uma folguinha. Resolvemos passar em algumas lojas pra checar a promoções.
Quando, pra nosso espanto, vimos uma promoção de desodorante aerosol, por ¼ do preço que compramos em Fortaleza.

Eu comprei 3 frascos pra mim, 3 pro meu marido. A minha outra amiga comprou a mesma quantidade... mas a outra companheira de viagem fez a festa! Ela adquiriu 12 frascos de desodorante feminino e 12 masculino.

Na hora ficamos brincando com ela, dizendo que ela iria abrir um comércio em casa, e que esse era o primeiro estoque dela... foi muita zoação, mas passou logo.

Voltamos pro hotel, fechamos as malas e pegamos o taxi pro aeroporto. Na fila do check-in a funcionária da empresa aérea pergunta a cada passageiro quantos frascos do tipo aerosol tínhamos na mala.

Eu disse quantos tinha e as outras duas amigas disseram exatamente igual a mim. Seis frascos! Só que você e eu sabemos que alguém mentiu um pouco, né?

Quando saímos do check-in a minha amiga me pergunta: “porque a preocupação com os sprays?”

Nessa hora liga a minha luz de traquinagem... não sei nem qual o tanto de verdade teve no meu discurso... mas pra mim o que valia era o trote!

Eu disse: “olha, é meio lógico. Esses desodorantes armazenados em frascos de spray aerosol estão sob uma pressão muito alta. E como as bagagens vão num compartimento em que há muito movimento e impacto, em caso de desequilíbrio na pressão interna do avião eles tendem a explodir. E quanto maior for a concentração de frascos por mala, maior será o dano na aeronave. Principalmente, se na mesma bagagem a pessoa estiver trazendo bebidas alcoólicas de alta concentração, como os vinhos que você está levando...”


A conversa acabou por aí, mas o clima de tensão ficou no ar. Eu mesmo fiz foi esquecer de toda a conversa do desodorante.

Entramos no avião, sentamos na mesma fileira... e antes da decolagem trocamos ainda algumas idéias coletadas na viagem. Comemos chocolate, rimos das histórias, tiramos algumas fotos... mico básico de viajante!

Como eu tenho o péssimo hábito de ficar um pouco enjoada quando o percurso aéreo é longo, então eu tomei um medicamento pra enjôo, que dá um leve sono.
Pra completar, o serviço de bordo foi logo no início do vôo...  Me aproveitei da oportunidade e pedi uma latinha de cerveja. E antes de beber a metade eu já estava dormindo profundamente...

Eu só me lembro de estar muito cansada... muito cansada mesmo!  E sinceramente, depois disso eu só posso dizer que foi a minha experiência mais tranqüila de viagem de avião.

Foi  mais tranqüila pra mim, não entendo o motivo pelo qual as minhas companheiras de viagem não compartilham dessa minha opinião. Eu acho até um certo exagero delas.
Foi tranqüilo demais, deu até pra ter sono reparador!

Quando acordei já estávamos com a aeronave em preparação para o pouso.

Eu poderia ter continuado dormindo, porque foi quando eu acordei que o pesadelo começou.

As minhas duas amigas estavam com os olhos mais arregalados que eu já vi na vida. Elas tremiam de pânico. Eu fiquei sem entender nada...
Suspiro e peso alto: “que vôo maravilhoso!” . Elas ouviram e resolveram que eu estava maluca. Nesse ponto eu não discordo... não sou muito normal mesmo!

Mas elas só faltaram me matar de grito no meu pé-do-ouvido. “Maravilhoso? Quase o avião caiu! Tu não viu nada?”
Eu disse: “sério???” Pra mim era praticamente impossível esta situação...

Parece que teve uma turbulência grande, e que o avião ficou subindo e descendo... era um dia bem nublado... e pelo discurso delas houve até uma certa comoção entre os passageiros.

O caos total. Crianças chorando, mulheres rezando e encomendando a alma... homens pedindo perdão... comissários de bordo com uma cara de “casa dos horrores”. Luzes acenderam, sinal de atar cintos, comandante falou pra ter calma... e eu dormindooooooo. zzZZZZZZZzzzz

Se fosse o meu dia de morrer certamente iria acordar nos braços do papai do céu, sem nem saber o que aconteceu!

Foi quando uma delas falou: “Débora, os desodorantes devem ter explodido!!!”

Bom... Dois meses depois eu ainda passava pela minha amiga perguntando: “E aí? Explodiu???”

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