sábado, 17 de janeiro de 2015

Éramos heróis e vivíamos em cabanas

Diário de uma cearense que curtiu na infância...

Este texto é em homenagem as minhas lindas amigas Bárbara Pinho (Barbie) e Karine Brito (Kaka). Porque foi conversando com elas que surgiu a inspiração. E aos meus maravilhosos irmãos, quem sempre me incluíram na diversão.

Bem, não quero me ocupar do cliché para dizer que as brincadeiras da minha época de criança eram mais legais que as das crianças de hoje. Acho que cada época tem o seu encanto e cada um vive como a sua criatividade permite. 

Brincar, no meu idioma, era alguma coisa semelhante a criar um momento de fantasia. Era como sonhar acordada... como materializar aventuras impossíveis. Era quase como ser Lucas Silva e Silva no seu Mundo da Lua. (Se você não lembra é porque não assistia a TV Cultura na década de 90).

Eu, menina, criada entre meninos (meus irmãos), não poderia ser exigente quanto à delicadeza das diversões, nem conseguia levá-los para uma realidade mais feminina. Eles me acolhiam no seu universo paralelo e me tornaram membro ilustre do "clube do bolinha".

Era pra brincar de super herói... eu poderia ser a Change Marmeid, a Mulher Maravilha, a She-ha... a escolha era sempre minha, sem concorrência.

Um de nós era capturado pelo malvado e asqueroso Guiodai (com seu olho gigante e seu super poder se fazer crescer os monstros). Enquanto que os demais deveriam planejar o resgate do companheiro aprisionado.

Outras vezes éramos a tripulaçãode uma nave espacial que estava numa missão intergalática. A velocidade da luz era acionada em alguns dos "botões" ultramodernos feitos de peças de jogo de tabuleiro. A direção da nave era controlada pelo mais ergonômico aparelho de controle de rotas. Um pino de boliche de plástico amarelo. E a nave era de luxo... com uma aerodinâmica apropriada para qualquer dano (as camas dos meus irmãos juntas)...

Ninguém poderia sair da nave. Caso isso acontecesse um jacaré  (isso mesmo, um jacaré espacial) poderia morder aquele que saísse.

Pra ir ao banheiro era necessário falar as palavras mágicas de ordem, que eliminaram os poderes do Jacaré. Poderia ser "pausa a brincadeira", ou "bandeirinha". Ou mais comum "eu to café-com-leite".

Nota relevante: se usasse o termo "bandeirinha" era necessário manter os dedos cruzados, do contrário estaria desprotegido da camuflagem da "bandeirinha". Kkkkk

Poderíamos ser irmãos, primos, qualquer coisa que fosse. Na brincadeira sempre nos refeririamos aos outros como AMIGO. Mas não era como se diz "amigo" na vida real. Na vida da brincadeira o som dessa palavra era quase "amigououou". E valorizava as frases, como: " Amigouu, eu vou te salvar, amigououou!"

Não importa o gênero. No mundo da brincadeira todos eram "amigou".

Acho que o que a minha mãe mais se chateava era com as brincadeiras de acampamento. Não acampamento em camping. Acampamento era na sala de jantar, ou na sala de estar ou ainda na garagem. Poderia ser em qualquer lugar com espaço para cadeiras, lençóis e colchão e muiiiita bagunça.

Fazer as cabanas, ou barracas, para abrigar os exploradores do safari levava alguma mão de obra. Tanto que algumas vezes eu cheguei a aproveitar o intervalo da brincadeira pra dormir na cabana, cenário da aventura.

Éramos polícia, bandido, reis, príncipes, ricos, pobres, aventureiros, atletas... éramos o que a imaginação inocente nos inspirava. Sendo o que fosse não deixávamos de ser Amigous uns dos outros. Exceto quando a brincadeira era de artes marciais.

Ri alto agora. Lembrei que a brincadeira começava como uma luta quase coreografada, ou um espelho de golpes. Mas se alguém, mesmo sem-querer, acertasse o outro... menino, a peia comia feio! Aí, pouco tempo depois a brincadeira acabava e o castigo começava...

De tempo em tempo eu volto pro mundo da imaginação. Faço um pequeno tour por lá pra me recordar como era ser o que quisesse ser... depois eu volto pro meu mundo real e agradeço a Deus por ter conquistado tantos mundos,  tantos títulos e tantas aventuras!

Continuo a brincadeira, continuo usando a criatividade, continuo imaginando mundos impossíveis... continuo sendo capaz de tudo o que quiser!

Vamos brincar?

4 comentários:

  1. Debinha,que delícia de texto! Me transportei pra esse cenário, me lembrei das minhas próprias brincadeiras com meus irmãos.. Lucas Silva e Silva então #acaradainfancia! =***

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  2. Concordo... Quero que meu filho tenha essa experiência de brincar de herói, de acampamento, de sonhar acordado. E vc tb deve lembrar do fantastico mundo de Bobby. Acho que por mais tecnológicas que estejam as brincadeiras de hj, sempre haverá um Lucas Silva e Silva ou um Bobby dentro de cada uma.

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  3. Concordo... Quero que meu filho tenha essa experiência de brincar de herói, de acampamento, de sonhar acordado. E vc tb deve lembrar do fantastico mundo de Bobby. Acho que por mais tecnológicas que estejam as brincadeiras de hj, sempre haverá um Lucas Silva e Silva ou um Bobby dentro de cada uma.

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