segunda-feira, 21 de maio de 2018

Fidelizar - mentira ou escravidão?

De: Jansen Viana e Débora Viana

Este texto foi o primeiro que escrevemos juntos. Então ele também é um marco especial pra mim! Que honra! Meu pai, meu mestre! 

Considero inadequado o termo "fidelizar" cliente. Mais que isso, repugno-o. Por mais que justifiquem os gurus do marketing e mesmo que seja sugestivo usá-lo. Ainda que o verbete conste nos diversos dicionários da língua portuguesa. Nada disto revela a mim uma situação em que o uso de quaisquer de suas flexões verbais seja digna de aplauso. 

Imagina um contrato de fidelização. Contrato que obriga ser fiel? Tolice.
Não dá certo nem em casamento. 
E se o cliente não cumprir? 
E se o cliente for um farsante contumaz? Não nos tornamos fiéis por assinatura. Nunca será possível fidelizar alguém, ninguém será fidelizado a nada.

Fidelidade é substantivo. Expressa a qualidade de quem decidiu ser fiel, um atributo. E não é possível que isso seja implantado no caráter de outra pessoa, nem por cirurgia.

Tornar fiel? Se eu te torno fiel você não é livre. É escravo. Tem amarras. Se fidelizo não dou opção. Aquele que não se deixa fidelizar é um escravo foragido? Um criminoso?

Ser fiel exige liberdade. Não é possível haver liberdade se não há possibilidade de escolha. Se não há autonomia do fiel.
Ser fiel é decisão que só compete ao seu autor. 

Para falar isso me aproprio do que disse Nietzsche, pois a fidelidade que é possível é a que temos pelas nossas próprias necessidades e ambições. Ou seja, só se pode ser fiel a si mesmo. Não há fidelidade quando há choque de valores. Não há fidelidade quando as opções não me ajudam a chegar onde quero.

Fidelizar é tornar alguém refém de um comrpomisso que não decidiu ter. Fidelizar é eufemismo para dominar, controlar, enfeitiçar, manipular...  Apropriação vergonhosa!

Entendo, e defendo, que a "fidelidade" se tornou jargão comercial usado para atenuar grosseiramente o teor de cláusulas abusivas.  

Quer manter seus clientes? Então cumpra suas promessas. Entregue o que foi acertado. Surpreenda com outros fatores que satisfaçam à sua necessidade. Do contrário, arranje um jeito de tirar-lhes as opções, impeça-os à escolha e à liberdade. Amarre-os num contrato, sufoque-os com produtos, endivida-os consigo, mas não caia na esparrela de pensar que eles são fiéis ou, pior, de que você os fidelizou.

domingo, 29 de abril de 2018

Intensidade

Minha fraqueza é a melancolia.
Sou aquela que foge da monotonia.
Nos tons neutros estão minhas dores. E em tons de cinza os rancores.

Na minha fuga estou à procura de arco-íris. Encontro aliviada.
E me perco entre cores... quanta riqueza!
Sim, aqui tem tesouro. E não falo de pote de ouro.

Neste refúgio estão meus  amores... neste lugar estão as minhas paixões.

Aqui enxergo bem melhor.
As minhas lutas, meus aprendizados, meus erros, minhas vitórias. Aqui me vejo.

A perspectiva nem sempre favorece, mas sempre acrescenta sabedoria. Toda novo saber traz consigo uma nova cor. Nova nuance... 
Me contagia.

Mas nessa fantasia lembro que ninguém vive em refúgios. Estes são feitos para ajudar a tomar fôlego. Feitos para reanimar o cansado.

Levanto-me renovada. Pronta. Com a alma colorida. Munida.
E sigo de volta para palidez soturna da realidade que me aguarda.
Por onde passo deixo cores. Deixo um rastro fluorescente...

Penso que o meu papel nesta vida deve reflitir tons quentes e frios...
Contraste e brilho.
Emoção e equilíbrio!
Paixão e plenitude...
Intensidade!

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Asas e livros

Asas e livros tem potência pro vôo... e nisso, tanto as asas, quanto os livros, variam em sua performance... As pobres aves não tem como escolher que tipo de asas terão. Nem o seu desempenho, nem sua resistência... muito menos podem aperfeiçoar a sua habilidade . São limitadas pela sua própria natureza.

Mas eu... eu não me limito. Sou responsável pelas viagens que quero fazer. Escolho os meus próprios vôos!  E a cada livro novo que vivo adquiro com ele a dádiva pra ir mais alto, mais longe...

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Borboletas encantadas

Borboletas são seres encantadores nas várias alegorias que delas se pode ter.
Pessoas encantadoras são como borboletas...

Belas! Não se valem das suas fases vencidas, das suas cascas perdidas, ou do rastejar de outrora.
Não despejam suas conquistas com palavras ácidas...

Sem saber como ou o porquê, enfeitam o jardim, a casa, o muro, a parede... O concreto... acredito que até lugar árido, deserto!

Um dia serei borboleta. Até lá contínuo neste casulo, brigando com esforço, com força, com tudo...

Até que eu desvende o segredo que me permita evoluir.
Então bela também serei. E então de encanto viverei.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Alexia

Já faz 15 anos.
Há 15 anos te coloquei nos braços e me apaixonei imediatamente.
Há 15 anos você me inspirou a mudar de vida.
Há 15 anos eu deixei de ser única... E isso não fez mais nenhum sentido.
Há 15 anos que eu te admiro absurdamente.
Há 15 anos...
Há 15 anos.

Uma moça atraente esconde a menininha sapeca que ainda vejo em você. Atrevida, esperta, sentimental... misteriosa! Linda.

É natural que as pessoas nos comparem. Não ligo. Você é mesmo mais bonita, mais meiga, mais talentosa, mais inteligente... Você é mais tanta coisa maravilhosa que adimito: sou apenas a mais velha (e nem ouse me chamar de "senhora").

Minha companheira. Minha princesa. Minha parceira. Minha irmã.

Te amarei sempre... sempre.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Pensando sobre caixas

Então me desafiam com o clichê "pense fora da caixa"... paradoxalmente eu penso dentro de mim e silencio. Eu não me encaixo. E nem quero. E se quisesse, qual o problema?
Aliás... outro paradoxo. Quem se encaixa, conscientemente, já pensa fora dela.

E de onde vem esse malfadado cubo? E esses que deste falam? E porque acham que estão fora? Caixa... eufemismo pra prisão. Referência de quem continua limitado.

Esse discurso falacioso e arrogante é apenas mais uma nova casta. Dita superior. Daqueles que pensam ser diferentes. O alto clero do modo de pensar. É mais uma tentativa de polarizar... quem não está fora só pode estar dentro. Será?

Penso que na verdade estas pessoas estão igualmente encaixotados. Dentro de containers com outros padrões... em cores neon, talvez. Ou não... Que tal uma pegada vintage? Tumblr? É mais tendência.

Quem os delegou a autoridade de me dizer onde devo pensar? O pensar é livre. Dentro ou fora de qualquer lugar.

Pensando bem, não há nada mais intrínseco ao "interior" que o pensar. Ninguém pensa fora de si. Só se pensa dentro da cabeça. Usando o conteúdo da caixa craniana. Irônico!

Pensar fora da minha própria caixa seria pensar diferente de quem eu sou, das minhas construções e experiências. Desvalorizando tudo o que já internalizei. Todos os insumos que compõe quem sou.

Pensar é ação. Com infinitas consequências. Quem pensa  busca transformação, definição, solução... Pensar exige dedicação, não uma caixa.

Aos adeptos da filosofia não cúbica eu peço que verifiquem a concentração de glicose no interior das vossas nádegas. Talvez seja necessário uma sutil assepsia.

Minha conclusão sobre pensar é que se ainda não deu certo talvez seja necessário apenas pensar um pouco mais.

#pensemos

sábado, 30 de dezembro de 2017

Viver ou ser feliz?

E essa busca doentia e utópica da felicidade a qualquer custo, corroborada pela surreal realidade encantada que é publicada na superficialidade das redes sociais, é uma bosta. É uma droga.

Estão sedentos por entorpecentes, relaxantes, alucinógenos... naturais!
Dopamina. Serotonina. Adrenalina...

Ansiedade louca por sentir-se vivo. Ora, quem não se sente vivo não sente mais nada. Está morto.

E pra quem não vive não faz sentido buscar ser feliz. E aquele que se torna maníaco pelo estado de plenitude total morre sem alcançar. Morre infeliz.

Porque quem vive vive.
Vive dias bons.
Vive dias maus.
Vive consciente.
Vive e luta.
Vive e aceita.
Vive e aproveita.

E vivendo acabada sendo feliz.