sábado, 24 de janeiro de 2015

Coisas de irmã mais velha


Hoje a minha pequena (quase maior que eu) irmã completa 12 primaveras... 

Nota: primavera era o termo brega que um adulto antiquado usava pra perguntar a idade da gente, há uns 20 anos, aproximadamente... Tipo "que mocinha linda, já completou quantas primaveras?"... Eu sempre ficava pertubada com esta pergunta porque no Ceará não tem primavera... Então eu sempre achava que a resposta correta era "nenhuma"... Mas eu nunca respondia assim porque era um atrevimento medonho!

Voltando pra conversa de irmã mais velha...

Quando ela nasceu eu tinha 20 anos. Era um dia perfeito de chuva (para o povo cearense dia bonito é dia de chuva)... Ela nasceu. Careca, desdentada, bochechuda, pequena e magricela... E choronaaaaaa!

De cara eu peguei logo nos meus braços. E foi uma emoção muito forte! Desse momento em diante nascia um amor eterno no meu coração.

Bom, mas pra todo irmão mais velho, o dia que o irmão mais novo nasce é meio parecido com o dia em que você ganha um animalzinho de estimação (sem ofensas, é só uma analogia... Kkkkkkkk- neste momento a Alexia está me odiando!).

Mas entendam o porquê... É novidade em casa. É uma coisinha frágil, que não faz muita coisa além de cocô, xixi e barulho. E, completando a sequência, a gente tem medo de amofinar de tanto pegar. E não quer que ninguém mais chegue perto... Porque pode machucar, quebrar ou amofinar também.

Eu achava que tinha que ensinar muita coisa pra ela. Tinha que ser exemplo... Blá, blá, blá, blá... 
Eu era muito no sense na época. Mania besta de achar que sabe de tudo! Mal eu sabia que era ela quem iria me trazer as grandes descobertas da vida.

Eu olhava pra pequenina no berço e me sentia totalmente low profile... Como é que eu seria uma irmã adequada pra aquela inocente criatura... Era mais uma motivação pra minha carreira de adulta  paia, chata e boring.

Eu sempre quis ser adulta, desde criança. Porque eu achava que isso era legal. Iria ser independente, resolvida, bem sucedida... Aff! Eu era insuportável. E era esse o modelo que eu queria ser pra pequena coisinha que tinha chegado na minha vida.

Ainda bem que eu não ensinei nada. Ainda bem que ela me ensinou tudo... Há 12 anos eu voltei a ser criança. Aprendi a apreciar a vida com os olhos de quem nunca viu, nunca conheceu... Voltei a me encantar com a beleza de tudo... 

Passei a me importar menos com "modelos" de vida... E voltei a viver! Fiquei mais curiosa. Estive no mundo da fantasia, algumas vezes. Corri de pés descalços, tomei banhos de chuva, cai mais vezes de bicicleta, brinquei de bola, peteca, carimba, elástico, amarelinha. Inventei estórias de horror, ficção, romance, magia. Corri no shopping pra comprar guloseimas antes do cinema, fiz caretas e danças ridículas nas lojas de brinquedos. Cantei em inglês errado e alto... Imitei personagens. Me tornei a irmã mais nova!

Hoje a Alexia está uma mocinha. Ela já não quer mais pagar mico, ela já não assiste mais qualquer desenho animado comigo... Ela já se tornou mais careta pra um monte de coisa. Mas isso faz parte, é da idade, e ela vai sobreviver! É uma garota linda, meiga, inteligente... Com o humor peculiar da família (gaiata)...

Ela não quer passar os 15 anos em festa, nem na Disney, ela quer ir pra Inglaterra conhecer o One Direction... Ela lê livros estranhos, ela faz sua própria maquiagem, ela é capaz de decidir que roupa quer usar e qual a melhor combinação... Ela usa cabelo longo, e pra ela isso é o máximo! Ela é opiniosa...  Ela é a minha irmã. E eu sou louca por ela!

Nossos momentos são sempre especiais! E vão sempre ser! Hoje, daqui a mais 100 anos, e pelo resto de toda a nossa infancia-juventude-adulta... 

P.S.: feliz aniversário, Alexia! Eu te amo muitooooo... Mesmo você tendo escolhido passar o seu aniversário no Sana! (Huahuhauahua, fui maldosa?)




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