terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O absorvente - 11 fatos nostálgicos

Diário de uma cearense nostálgica.

Hoje, na hora do almoço, não sei bem como começamos a falar sobre absorvente, mas começamos.

Éramos cinco. Quatro mulheres e um homem... E o assunto foi versado sem considerar a condição masculina do intruso, ou melhor, do não usuário.

Todas as garotas fizeram comentário sobre situações vexatórias associadas à necessidade do uso mensal desse dispositivo de conteção de sangramento das partes baixas associadas ao público XX.

Não poderia ficar sem comentar, então expus a minha maçante experiência vivencial de pelo menos 23 anos desde a primeira vez que fui acometida pela realidade da vida fértil das mulheres. Óbvio que exagerei, mas o que falei foi muito próximo da realidade. Não da realidade de hoje, mas da realidade da década de 90.

Então seguem alguns fatos relevantes sobre o absorvente e o final do século passado:

1. Comprar absorvente era vergonhoso. Não sei se por causa da timidez em relação a condição nova, o se porque os pacotes de absorvente eram do tamanho dos pacotes de fraldas descartáveis.


2. Absorvente só existia no modelo "sem abas"... toda mulher sabe o que isso significa!!!

3. Hoje existem vários tipos e tamanhos. Tem o fino, o ultrafino, o noturno... antigamente só tinha o ultra-tijolo. Os dispositivos eram tão grandes, mas tão grandes, mas tão grandes que pra usar um troço desse sem que todo mundo soubesse exigia da mulher um esforço hercúleo e uma expertise de alto nível. Do contrário a impressão era a de estar usando uma bermuda de ciclista.




4. Se você conviveu com mulheres na idade fértil nessa época você deve lembrar que era muito mais comum que aqueles malditos acidentes de sujar a roupa.

Então as mulheres tinham uma vez por mês um acesso de tique nervoso. Sempre, ao se levantar, era importante fazer uma rotação de 180 graus no pescoço e inclinar a cabeça pra parte traseira inferior, a fim de checar se estava tudo dentro do planejamento.

Interessante que havia mais solidariedade entre as meninas. Você sempre poderia contar com a sua amiga pra que ela "discretamente" observasse pra você, sem que o contorcionismo fosse necessário.

5. Era um mito e um tabu dizer que usava absorvente interno. Se você dissesse isso era quase uma declaração de que a menina não era mais "moça"...

6. O malfadado tijolo saía do canto. Tinha o poder mutante de se deslocar.

7. Os absorventes de hoje tem de 3 a 5000 camadas absorventes, com textura "suave", "seca" ou "super seca". Os absorventes de antigamente tinham de 3 a 5000 camadas adstringentes, com textura que variava de fabricante pra fabricante entre "borrado", "melecado ou "lascou-se". Você não era "sempre livre", nem "confiante" e muito menos estava "protegida". A regra era ficar "Sempre Alerta"...






8. Você não era feliz "naqueles dias" com "aquela coisa". Não dava pra ser. Isso sempre foi uma grande mentira.

9. Os absorventes não eram embalados um-a-um. Você tinha que ter uma bolsinha gigante dentro da bolsa pra garantir pelo menos um absorvente reserva, para evitar os imprevistos. Se uma amiga tua pedia um absorvente era o caos. Na hora de tirar da bolsa e entregar pra ela era uma missão digna de espião de filme da série 007.

10. Porque eles não eram embalados da forma como são hoje havia uma maior pré-disposição para ficar inutilizável, dependendo da exposição aos fatores temporais. Cheio de poeira e marcas de dedos, pra ser mais claro.

11. Usar absorvente era vergonhoso, comprar absorvente era humilhante...  hoje, nem tanto! Pode servir até como uma comunicação não verbal indicando que não há zigoto se instalando pelo útero.

De fato, são muitas as conclusões que se pode fazer sobre os absorventes de antigamente. Fique à vontade para contribuir com a sua experiência. Será super bem-vinda!

Eu tinha mais casos pra citar... mas agora eu tô bem atrasada... Então #partiu!




 

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