sábado, 2 de abril de 2016

Minha vida de mãe

Diário de uma cearense nascendo como mãe:

Quando eu era criança tinha certeza de que meus pais tinham superpoderes. Que dominavam a arte de saber de tudo. E que certamente tinham consciência de que foram dotados de domínio próprio para exercerem o papel de meu porto seguro.

Incoscientemente eu achava que quando fosse mãe iria adquirir estes dons. Entretanto, ainda me percebo com a mesma insegurança de sempre. Com aquele maldito medo de não acertar. Com a angústia de não ser boa o suficiente.

Olho pra minha pequena e me vejo cercada de amor e de dúvidas. É nessa hora que não sei quem é mais frágil. Se ela pela imaturidade dos dias, ou se eu, pela imaturidade da vida.

Olho pra ela e vejo o olhar da minha mãe pra mim. Imagino todas as sensações que ela teve e que estou tendo agora. E eu entendo seus anseios. Eu entendo suas reações.

Ser mãe também é como estar perdida num mundo em que se tem obrigação de ser herói. É como ser menina e ter um universo todo novo pra dar conta.

Ela depende de mim. Meu bebê precisa de mim. Ela espera por mim. Eu preciso estar pronta. Preciso ter as respostas...

E onde eu me apóio? Quem vai me salvar? Quem vai me socorrer? Quem vai me proteger de mim?

Inseguranças, perguntas, medos, anseios, angústias... solidão...

Que não se ofendam meus queridos, meus pais,  irmãos, meu marido. Não depende de vós o alívio pra este tormento.

Esta é a dor do meu renascimento. É  a dor de crescimento de que a minha alma necessita padecer. Para assim surgir uma mãe em mim.