quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Olha o passarinho...

Diário de uma cearense que tem amigos estranhos...
Eu tenho uma amiga muito estranha. Ela tem uns medos um pouco fora do comum. Como medo de atravessar a rua, medo de assalto, medo de ficar sozinha num lugar escuro, medo de alma, medo de gente estranha... Mas o pior de todos é o medo que ela tem de pássaros, pior, de aves!
O curioso é que o medo de pássaros anula qualquer outro medo que ela tenha. Por exemplo, se tivermos que atravessar uma avenida movimentada ela irá demorar precisas duas horas pra completar o trajeto. Entretanto, se na frente dela vem um pequeno, indefeso e singelo pardal, ela vira a versão feminina de uma mutação do Flash, com a Tempestade, Mulher Invisível e Senhor Incrível. Quando você piscar ela já estará longe do pobre bichinho, nem que pra isso ela atravesse a BR-116 na hora do rush.
É um caso tão complicado que em local aberto ela sempre está tensa. Procurando no céu, no chão, nos muros ao redor, qualquer espécie que se encaixe no perfil penas-asas-bicos. É tenso mesmo. Imagina a situação: estamos posicionados para uma fotografia em turma. Algum desavisado fala “olha o passarinho...” pronto! É o suficiente pra ela estragar a foto. Movimentos bruscos, cara de espanto. E se na foto tivesse o áudio certamente se ouviria o “cadê? Onde? Pelamordi, meu povo?”
Pois é... ela é assim! E tem uma razão de ser. A versão que ela conta sempre é que os passarinhos odeiam ela. Tem perseguição... é o destino. Justifica que em outra vida ela era um gato, que perseguia os pássaros, por isso eles estão usando todo o poder ovíparo concentrado em  bico córneo e ossos pneumáticos para derrotá-la.
Conta a lenda que ela levou uma carreira de uma galinha choca quando era criança, e que nesta época também levou uma surra de 300 capotes (ou galinhas da angola, ou galinha-do-mato). Além de outros fatos fortes, que não posso citar pelo respeito aos leitores deste blog.
Imagino até a gangue dos maledicentes capotes maquinando a pisa da pobre pestinha. O diálogo todo reproduzido em “to-fraquez”, típico da categoria, passando informações criptografadas de como seria o ataque surpresa.

Gente, e até foi uma covardia. Pobre criança inocente. No auge dos seus 10 anos de traquinagem, cortando legumes no meio do quintal, ao meio dia... quando de repente é surpreendida pelo ato violento dos maléficos membros da família Formicariidae.

Ela sobreviveu, mas temo que foi neste dia que ela perdeu o pouco de juízo que tinha guardado sem nem saber pra quê servia.

Esta semana ela me impressionou. Veio me contar de uma outra amiga nossa que tinha um medo muito diferente. Ela disse: “é muito estranho o medo que ela tem. Acredita que a nossa não entra em praia, rio ou lagoa porque tem medo de peixe? Muito louco...”

Eu olhei pra ela, bem séria, e disse: “poxa, estranho mesmo! Ainda bem que ela pode evitar o contato... agora, já pensou se existisse ave do tamanho de baleia, ou com extinto predador de um tubarão.”
  Ela desmaiou!

Um comentário:

  1. kkkkkkkkkkkkkkk..."Gangue dos Maledicentes Capotes" foi ótimo!!! A pessoa tem medo de ave e considera a amiguinha que tem medo de peixe... estranha... Pode?

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