sábado, 31 de janeiro de 2015

Eu sou... Eu sei!

Lá no Monte Horebe Moisés perguntou a Deus como deveria chamá-lo. 
Qual o nome deveria usar para intimidar faraó... 
O relato bíblico nos traz o Todo-Poderoso como Eu Sou o Que Sou. 
E imagino que havia uma necessidade pra tal definição divina. 
Para um povo cheio de questões, superstições...
Havia divindade pra tudo nessa vida, havia ritual pra qualquer situação.

Quem Deus seria? Intitulado de outra forma não seria o que É, seria mais um. E nem haveria forma distinta de apresentação. Imagino o diálogo:
"Você vem da parte de quem, Moisés?" 
"Aquele que me enviou é o grande Eu Sou!"
"Ele é o sol, a lua, a natureza? Ele é uma estrela cadente? Ou o mar impetuoso?"
"Não. Ele é! Ele é o que é. E nada o define. Nenhuma definição satisfaz, nada o contém! Ele é o que é e ninguém jamais o será."

E Eu Sou o Que Sou libertou o povo cativo... 
Os cativos, agora libertos, andavam para a Terra Prometida, mas ainda eram prisioneiros de suas lamentações. Questionando o Eu Sou o Que Sou sobre suas mazelas.
Eu Sou estava com eles. 
Eu Sou se compadecia deles. 
E eles diziam: "Eu Sou, você não sabe!"

Então, o todo-poderoso Eu Sou decidiu, não precisava, mas decidiu mostrar que sabia. 
Despiu-se de sua glória e veio ao mundo.
Nasceu e cresceu como homem. 
Amou e foi amado. 
Por pai e mãe foi educado.
Era obediente, dedicado.
Ficou em Jerusalém, deixando seu pai preocupado.
Passou fome, ficou cansado... 
Foi tentado. 
Ficou indignado.
Foi chicoteado, humilhado, traído, abandonado.
Estava esgotado. 
E já havia perdoado
Os que o tinham crucificado.
Dizendo ao Pai: "perdoai-os. Eles não sabem!"

Você está com o grande Eu Sou o Que Sou. Naquele dia, quando sua alma chora, sua dor trasborda... Nem falar é possível agora... 
Ele, com ternura, te olha e diz: "Eu Sei, meu filho. E você sabe que Eu Sei."

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Olha o passarinho...

Diário de uma cearense que tem amigos estranhos...
Eu tenho uma amiga muito estranha. Ela tem uns medos um pouco fora do comum. Como medo de atravessar a rua, medo de assalto, medo de ficar sozinha num lugar escuro, medo de alma, medo de gente estranha... Mas o pior de todos é o medo que ela tem de pássaros, pior, de aves!
O curioso é que o medo de pássaros anula qualquer outro medo que ela tenha. Por exemplo, se tivermos que atravessar uma avenida movimentada ela irá demorar precisas duas horas pra completar o trajeto. Entretanto, se na frente dela vem um pequeno, indefeso e singelo pardal, ela vira a versão feminina de uma mutação do Flash, com a Tempestade, Mulher Invisível e Senhor Incrível. Quando você piscar ela já estará longe do pobre bichinho, nem que pra isso ela atravesse a BR-116 na hora do rush.
É um caso tão complicado que em local aberto ela sempre está tensa. Procurando no céu, no chão, nos muros ao redor, qualquer espécie que se encaixe no perfil penas-asas-bicos. É tenso mesmo. Imagina a situação: estamos posicionados para uma fotografia em turma. Algum desavisado fala “olha o passarinho...” pronto! É o suficiente pra ela estragar a foto. Movimentos bruscos, cara de espanto. E se na foto tivesse o áudio certamente se ouviria o “cadê? Onde? Pelamordi, meu povo?”
Pois é... ela é assim! E tem uma razão de ser. A versão que ela conta sempre é que os passarinhos odeiam ela. Tem perseguição... é o destino. Justifica que em outra vida ela era um gato, que perseguia os pássaros, por isso eles estão usando todo o poder ovíparo concentrado em  bico córneo e ossos pneumáticos para derrotá-la.
Conta a lenda que ela levou uma carreira de uma galinha choca quando era criança, e que nesta época também levou uma surra de 300 capotes (ou galinhas da angola, ou galinha-do-mato). Além de outros fatos fortes, que não posso citar pelo respeito aos leitores deste blog.
Imagino até a gangue dos maledicentes capotes maquinando a pisa da pobre pestinha. O diálogo todo reproduzido em “to-fraquez”, típico da categoria, passando informações criptografadas de como seria o ataque surpresa.

Gente, e até foi uma covardia. Pobre criança inocente. No auge dos seus 10 anos de traquinagem, cortando legumes no meio do quintal, ao meio dia... quando de repente é surpreendida pelo ato violento dos maléficos membros da família Formicariidae.

Ela sobreviveu, mas temo que foi neste dia que ela perdeu o pouco de juízo que tinha guardado sem nem saber pra quê servia.

Esta semana ela me impressionou. Veio me contar de uma outra amiga nossa que tinha um medo muito diferente. Ela disse: “é muito estranho o medo que ela tem. Acredita que a nossa não entra em praia, rio ou lagoa porque tem medo de peixe? Muito louco...”

Eu olhei pra ela, bem séria, e disse: “poxa, estranho mesmo! Ainda bem que ela pode evitar o contato... agora, já pensou se existisse ave do tamanho de baleia, ou com extinto predador de um tubarão.”
  Ela desmaiou!

Família outlier




Diário de uma cearense que tem uma família normal, mesmo que fora da normal...

Veja se você entende. Na minha casa quase todo mundo tem a sua própria mãe. O ponto de interseção é o pai. Somos 5 irmãos, um pai, três mães, e vários avós, tios, primos, dentre outros.

Meu irmão mora na França. A mãe do meu irmão mora na França. Mas a mãe do meu irmão que mora na França não é a mãe do meu irmão que mora na França. 

Eu tenho uma sobrinha. Esta minha sobrinha não é sobrinha do meu irmão. Este meu irmão também tem uma sobrinha, que também não é minha sobrinha.

Eu, e alguns dos meus irmãos, temos 4 irmãos. Eu tenho um irmão que tem 5. 

Eu tenho duas avós, a maioria dos meus irmãos também. Agora... Eu tenho um irmão que tem três avós. Duas maranhenses e uma cearense. Agora, a filha dele tem 3 avós também. Uma maranhense e duas cearenses, e o mais incrível é que as duas cearenses são da Palmácia. 

E tem mais... O meu irmão mais velho é ao mesmo tempo mais velho e mais novo. E não é filho único. Eu sou ao mesmo tempo a mais velha, a segunda é filha única. O meu irmão mais novo é ao mesmo tempo mais o novo e o penúltimo. E a minha irmã é mais nova, mais velha e única tudo ao mesmo tempo. Só o meu irmão do meio é que em qualquer situação ele sempre será o do meio... Será que é o destino?

Eu tenho um irmão que é Junior. Os outros, mesmo tendo mães diferente a letra do nome do meio é sempre M. M de Maximo, Mondego e Moreira... Mas, independente do nome do meio, ou de ser Junior, somos todos Viana...

Eu tenho uma cunhada Débora. Eu sou Débora. Ela é Débora Lima. Eu também! Eu casei com o irmão dela. Ela não casou com nenhum dos meus irmãos... A confusão seria bem maior... Kkkkk

Eu tenho um irmão 9 meses mais velho que eu. E uma irmã 20 anos mais nova que eu. 

Meu pai tem 7 profissões (administrador, analista de sistemas, psicanalista, escritor, bancário, professor e pastor) seria mais de uma escolha pra cada filho... Eu e o meu irmão mais velho escolhemos uma das profissões dele. Os meus irmãos mais novos escolheram outras fora desta lista... A minha irmã tem uma tendência muito forte a escolher uma das profissões dele, se assim for ela vai também casar com um homem rico...

Agora o que mais me impressiona é que tudo isso aí nunca fez diferença pra gente... Muito embora nem sempre compartilharmos da mesma mãe (o que facilita muito os xingamentos quando brigamos), compartilhamos o mesmo vínculo. O de sermos irmãos acima de tudo! 

Olha, vou dizer uma coisa, eles são os meus melhores presentes! Por isso, pela vida deles, eu agradeço a Deus, ao meu pai e a todas as mães desta família!

domingo, 25 de janeiro de 2015

Inteligência pura

Baseado em fatos reais...

Hoje vou contar sobre as histórias de uma amiga minha... a bichinha padece de ausência de massa encefálica.

Não preciso nem citar qual a cor dos caracóis dos seus cabelos... Você é livre para fazer esta inferência! Mas vamos ao que importa...

Um dia passei pela praça do nosso bairro e tinha uns bancos interditados para pintura. Quando olho direto vejo minha amiguinha lá... distraída e tranquila! Eu a cumprimento. Ela se levanta e vem ao meu encontro. Imediatamente percebo que a sua saia branca ficou com um detalhe de listras horizontais num tom verde-banco-da-praça... bem na trazeira.

Outro dia, não há muito tempo, ela chegou espantada pra mim... eu pergunto o que houve e me espanto com o que ela fala. "Débora, mulher, tu não sabe quem morreu..."
Eu fico em estado de choque e pergunto horrorizada: "Não! Quem, pelo amor de Deus!?"
Para o meu espanto e alívio ela diz: "mulher de Deus, o Airton Senna."

Na hora eu não soube bem o que fazer. De certo que a morte dele tinha sido um fato muito triste pra maioria dos brasileiros... mas eu tive que responder de uma forma forte. Não sabia como ela iria reagir, mas tive que falar. Respirei fundo e disse: "gata sarada do surf, estamos em 2014 (ainda era neste dia), eu sinto em dizer que, neste "inexorável" ano,  fecham apenas 20 anos que ele deixou esta vida."

Ela ficou estática... em estado de choque. E ainda está viva. Graças à sorte que as pessoas inocentes têm.

Outra feita ela chegou xingando maldizendo a máquina de café expresso. Sabe aquelas máquinas em que você deposita moedas até o valor registrado e ela te entrega um capuccino? Pois é...

A máquina tinha uma placa com informações gerais, instruções de uso e os preços dos produtos. E pra completar tinha um aviso grande em caixa alta e letras vermelhas dizendo "apenas moedas".

Bem, a minha amiga disse que tinha colocado dinheiro pra um café e a máquina tinha engolido o valor e não entregava nem o café, nem devolvia a grana.

Não sei porque eu perguntei... mas eu perguntei como ela tinha feito isso. Eu esperava uma resposta absurda, mas ela se superou.

"Mulher, eu peguei minha carteira e a primeira cédula que eu vi eu dobrei, dobrei, dobrei bem dobradinho e enfiei no branquinho da máquina... Não estava querendo entrar, aí eu empurrei pra dentro com a tampa de uma caneta... e a maldita não me deu meu café! Aquela máquina está me devendo R$ 50,00..."

Eu fico meio tonta só de imaginar a cena... resolvo que não vale a pena contrariar e digo: "mulherzinha, que absurdo! Chama a polícia pra resolver..."

Esta minha amiga é, sem dúvida, um caso de polícia!

Imagina que um certo dia ela precisou sair e usou o carro do marido dela. O bendito carro era automático e com diversos apetrechos top de linha.

A minha amiguinha engatou a ré e o sensor de estacionamento começou a apitar. Num reflexo ela olhou pra trás e, como não viu nada, interpretou que o equipamento estava doido.

Engatou a ré novamente, tacou o pé no acelerador e o carro na mureta da calçada... ela é demais!!!

Eu ri por duas semanas dessa história. Até ela chegar com outra fantástica experiência. Que depois eu compartilho com vocês.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Mais uma de atendimento ruim...

Diário de uma cearense que "podia não estar se sentindo" lesada...

Devo ter aberto um biscoito da sorte dizendo que hoje não era um bom dia para comprar coisas. Imediatamente depois que publiquei um texto inteiro com 10 coisas que garantem um atendimento ao cliente de baixa qualidade me acontece a 11a. e a 12a.

Fui ao shopping comprar um eletrodoméstico pra minha casa. Objetivamente já tinha escolhido o produto, a marca, o modelo é a loja antes de sair de casa. Então era chegar, estacionar, descer, pegar, pagar e voltar pra casa. Parecia 100% dentro dos conformes...

Então, seguindo o plano, eu fui... Cheguei à loja peguei o item é pedir pra faturar. Quando a mocinha que me atendeu fez uma proposta irrecusável! Garantia estendida!

Uau! Imperdível! Um ano de garantia da fábrica e mais um ano de garantia da loja... Como não comprar? Divide em 12 pequenas parcelas... Nem vai sentir! Além disso, se acontecer alguma coisa você tem um aparelho novinho, ainda na caixa! Que maravilha!

Eu disse: "não, obrigada!"

Ela insistiu que poderia acontecer alguma coisa, e o melhor era estar precavida... Nunca se saber quando um aparelho pode quebrar... Etc, etc, etc...

Eu disse: "não, obrigada!!!"

Ela insistiu. Eu a interrompi dizendo: "o que você está tentando me vender é um atestado de que em dois anos o aparelho vai quebrar. E que certamente é vantagem ter a garantia estendida porque o aparelho não presta e eu vou precisar de outro em breve!"

A vendedora se deu por convencida e desistiu da venda da garantia extra. Só que a gerente, no caixa, que tinha ouvido todo o discurso, começou o palavreado insistente... Eu disse, firmemente, que não queria.

Nesse momento ela teve uma ótima ideia. Ela faturou a nota e disse que tinha me dado de presente a garantia estendida nos produtos que tinha comprado. Eu pensei... Presente?! Tem alguma coisa fedendo aqui... A outra estava quase me implorando pra eu comprar e essa aí me deu!?

Quando eu vi a nota fiscal o valor de pagamento era igual à soma dos valores dos produtos... Mas tinha alguma coisa errada. Não estava conformada. Como se dá um seguro e uma garantia estendida?

Foi quando eu vi o truque. A gerente incluiu um desconto na minha nota e com o valor do desconto ela faturou a garantia extra. 

Fiquei indignada! Eu olhei pra ela e disse: se você me deu um presente porque eu estou pagando por ele? A gerente me falou que não estava pagando pelo "presente", que estava pagando pelos produtos...

Eu olhei pra ela e disse que se ela achava que eu sou besta ela estava enganada. Se eu tivesse a opção de escolha entre o valor do desconto ou o seguro certamente não teria ficado com o serviço extra, mas ela usou o desconto (que eu não teria direito, mas tive) pra pagar um serviço que ela me deu e eu nem queria. E completei dizendo que a atitude dela era desonesta, enganosa, falsa... Uma péssima forma de bater uma meta.

Ai ela fez uma proposta imperdível. "Senhora, eu posso estornar o valor e retirar a garantia que eu lhe dei". Eu imediatamente respondi: "só se a senhora mantiver o desconto que deu nesta Nota Fiscal..."

Obviamente a resposta dela foi negativa. Obviamente eu disse que ela estava usando argumentos ridículos pra esconder sua tentativa inescrupulosa de vender um produto que não se quer e ainda fazer o cliente "achar" que saiu ganhando...

Eu ainda não sei o que vou fazer com esta situação... O que você faria? 

O tiro que saiu pela culatra

O momento de inspiração pra escrever sobre isso foi a nossa experiência na hora do almoço.

Hoje fomos a um dos restaurantes que costumamos almoçar aos finais de semana. Só que hoje o Daniel fez uma observação que me chamou a atenção...

Ele disse: "neste restaurante os garçons tem o hábito de retirar os pratos assim que você termina. Dá a impressão de que eles querem que você vá embora logo."
Então eu completei que parecia que eles não tinham pratos suficientes e precisavam repor o mais rápido possível...

Daí começamos a trocar ideias sobre as estratégias ruins. Aquelas que, enquanto eles acreditam aumentar o faturamento, na verdade espantam o cliente.

Situações:

1. Você entra "de boa" numa loja. Daí chega alguém e pergunta se você quer ajuda. Não sei o que você faz, mas eu me sinto intimidada e saio imediatamente da loja.

2. Voce está fazendo perguntas pra tirar dúvidas (sobre qualquer coisa). Só que você ainda não está satisfeito e a criatura pergunta se você deseja mais alguma coisa... pra mim isso soa como um polido pedido de "desocupa a moita".

3. Você vai comprar roupa, e, por ironia do acaso, escolhe experimentar uma roupa que não foi feita pro seu shape. E você tem consciência disso.  Quanto mais a pessoa que está te vendendo elogia o caimento, mais você sente vontade de cair fora...

4. Você vai à farmácia comprar um medicamento, o qual a necessidade de toma-lo não é bem um orgulho,  então o balconista vê tua receita e fala alto "fulano, ainda tem daquele Imozec mais forte?"

5. A pergunta que me dá calafrios: qual é o seu número de cadastro?

6. Minha vontade de entrar em qualquer loja é inversamente proporcional ao tamanho da fila (da entrada, do caixa...) não é porque o mundo todo está lá que eu quero também!

7. Promoção de itens ruins. Eca! Nem de graça!

8. Não ter estacionamento. Ou pior, estacionamento confuso.

9. Sem preço na etiqueta... me dá impressão de que deve ser tão caro, tão caro, tão caro que o preço é uma ofensa. Ou então o item deve ter o preço alterado conforme o dolar comercial, plus iof...

10. Atendente usa voz irritantemebte nasal... e usa expressões como "a gente podia estar reservando este item pra senhora..."

Este último é o fim... cansei!

Coisas de irmã mais velha


Hoje a minha pequena (quase maior que eu) irmã completa 12 primaveras... 

Nota: primavera era o termo brega que um adulto antiquado usava pra perguntar a idade da gente, há uns 20 anos, aproximadamente... Tipo "que mocinha linda, já completou quantas primaveras?"... Eu sempre ficava pertubada com esta pergunta porque no Ceará não tem primavera... Então eu sempre achava que a resposta correta era "nenhuma"... Mas eu nunca respondia assim porque era um atrevimento medonho!

Voltando pra conversa de irmã mais velha...

Quando ela nasceu eu tinha 20 anos. Era um dia perfeito de chuva (para o povo cearense dia bonito é dia de chuva)... Ela nasceu. Careca, desdentada, bochechuda, pequena e magricela... E choronaaaaaa!

De cara eu peguei logo nos meus braços. E foi uma emoção muito forte! Desse momento em diante nascia um amor eterno no meu coração.

Bom, mas pra todo irmão mais velho, o dia que o irmão mais novo nasce é meio parecido com o dia em que você ganha um animalzinho de estimação (sem ofensas, é só uma analogia... Kkkkkkkk- neste momento a Alexia está me odiando!).

Mas entendam o porquê... É novidade em casa. É uma coisinha frágil, que não faz muita coisa além de cocô, xixi e barulho. E, completando a sequência, a gente tem medo de amofinar de tanto pegar. E não quer que ninguém mais chegue perto... Porque pode machucar, quebrar ou amofinar também.

Eu achava que tinha que ensinar muita coisa pra ela. Tinha que ser exemplo... Blá, blá, blá, blá... 
Eu era muito no sense na época. Mania besta de achar que sabe de tudo! Mal eu sabia que era ela quem iria me trazer as grandes descobertas da vida.

Eu olhava pra pequenina no berço e me sentia totalmente low profile... Como é que eu seria uma irmã adequada pra aquela inocente criatura... Era mais uma motivação pra minha carreira de adulta  paia, chata e boring.

Eu sempre quis ser adulta, desde criança. Porque eu achava que isso era legal. Iria ser independente, resolvida, bem sucedida... Aff! Eu era insuportável. E era esse o modelo que eu queria ser pra pequena coisinha que tinha chegado na minha vida.

Ainda bem que eu não ensinei nada. Ainda bem que ela me ensinou tudo... Há 12 anos eu voltei a ser criança. Aprendi a apreciar a vida com os olhos de quem nunca viu, nunca conheceu... Voltei a me encantar com a beleza de tudo... 

Passei a me importar menos com "modelos" de vida... E voltei a viver! Fiquei mais curiosa. Estive no mundo da fantasia, algumas vezes. Corri de pés descalços, tomei banhos de chuva, cai mais vezes de bicicleta, brinquei de bola, peteca, carimba, elástico, amarelinha. Inventei estórias de horror, ficção, romance, magia. Corri no shopping pra comprar guloseimas antes do cinema, fiz caretas e danças ridículas nas lojas de brinquedos. Cantei em inglês errado e alto... Imitei personagens. Me tornei a irmã mais nova!

Hoje a Alexia está uma mocinha. Ela já não quer mais pagar mico, ela já não assiste mais qualquer desenho animado comigo... Ela já se tornou mais careta pra um monte de coisa. Mas isso faz parte, é da idade, e ela vai sobreviver! É uma garota linda, meiga, inteligente... Com o humor peculiar da família (gaiata)...

Ela não quer passar os 15 anos em festa, nem na Disney, ela quer ir pra Inglaterra conhecer o One Direction... Ela lê livros estranhos, ela faz sua própria maquiagem, ela é capaz de decidir que roupa quer usar e qual a melhor combinação... Ela usa cabelo longo, e pra ela isso é o máximo! Ela é opiniosa...  Ela é a minha irmã. E eu sou louca por ela!

Nossos momentos são sempre especiais! E vão sempre ser! Hoje, daqui a mais 100 anos, e pelo resto de toda a nossa infancia-juventude-adulta... 

P.S.: feliz aniversário, Alexia! Eu te amo muitooooo... Mesmo você tendo escolhido passar o seu aniversário no Sana! (Huahuhauahua, fui maldosa?)




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Um vôo tranquilo...

Diário de uma cearense traquina e super “de boa”...

Era o nosso último dia de viagem, quando tivemos uma folguinha. Resolvemos passar em algumas lojas pra checar a promoções.
Quando, pra nosso espanto, vimos uma promoção de desodorante aerosol, por ¼ do preço que compramos em Fortaleza.

Eu comprei 3 frascos pra mim, 3 pro meu marido. A minha outra amiga comprou a mesma quantidade... mas a outra companheira de viagem fez a festa! Ela adquiriu 12 frascos de desodorante feminino e 12 masculino.

Na hora ficamos brincando com ela, dizendo que ela iria abrir um comércio em casa, e que esse era o primeiro estoque dela... foi muita zoação, mas passou logo.

Voltamos pro hotel, fechamos as malas e pegamos o taxi pro aeroporto. Na fila do check-in a funcionária da empresa aérea pergunta a cada passageiro quantos frascos do tipo aerosol tínhamos na mala.

Eu disse quantos tinha e as outras duas amigas disseram exatamente igual a mim. Seis frascos! Só que você e eu sabemos que alguém mentiu um pouco, né?

Quando saímos do check-in a minha amiga me pergunta: “porque a preocupação com os sprays?”

Nessa hora liga a minha luz de traquinagem... não sei nem qual o tanto de verdade teve no meu discurso... mas pra mim o que valia era o trote!

Eu disse: “olha, é meio lógico. Esses desodorantes armazenados em frascos de spray aerosol estão sob uma pressão muito alta. E como as bagagens vão num compartimento em que há muito movimento e impacto, em caso de desequilíbrio na pressão interna do avião eles tendem a explodir. E quanto maior for a concentração de frascos por mala, maior será o dano na aeronave. Principalmente, se na mesma bagagem a pessoa estiver trazendo bebidas alcoólicas de alta concentração, como os vinhos que você está levando...”


A conversa acabou por aí, mas o clima de tensão ficou no ar. Eu mesmo fiz foi esquecer de toda a conversa do desodorante.

Entramos no avião, sentamos na mesma fileira... e antes da decolagem trocamos ainda algumas idéias coletadas na viagem. Comemos chocolate, rimos das histórias, tiramos algumas fotos... mico básico de viajante!

Como eu tenho o péssimo hábito de ficar um pouco enjoada quando o percurso aéreo é longo, então eu tomei um medicamento pra enjôo, que dá um leve sono.
Pra completar, o serviço de bordo foi logo no início do vôo...  Me aproveitei da oportunidade e pedi uma latinha de cerveja. E antes de beber a metade eu já estava dormindo profundamente...

Eu só me lembro de estar muito cansada... muito cansada mesmo!  E sinceramente, depois disso eu só posso dizer que foi a minha experiência mais tranqüila de viagem de avião.

Foi  mais tranqüila pra mim, não entendo o motivo pelo qual as minhas companheiras de viagem não compartilham dessa minha opinião. Eu acho até um certo exagero delas.
Foi tranqüilo demais, deu até pra ter sono reparador!

Quando acordei já estávamos com a aeronave em preparação para o pouso.

Eu poderia ter continuado dormindo, porque foi quando eu acordei que o pesadelo começou.

As minhas duas amigas estavam com os olhos mais arregalados que eu já vi na vida. Elas tremiam de pânico. Eu fiquei sem entender nada...
Suspiro e peso alto: “que vôo maravilhoso!” . Elas ouviram e resolveram que eu estava maluca. Nesse ponto eu não discordo... não sou muito normal mesmo!

Mas elas só faltaram me matar de grito no meu pé-do-ouvido. “Maravilhoso? Quase o avião caiu! Tu não viu nada?”
Eu disse: “sério???” Pra mim era praticamente impossível esta situação...

Parece que teve uma turbulência grande, e que o avião ficou subindo e descendo... era um dia bem nublado... e pelo discurso delas houve até uma certa comoção entre os passageiros.

O caos total. Crianças chorando, mulheres rezando e encomendando a alma... homens pedindo perdão... comissários de bordo com uma cara de “casa dos horrores”. Luzes acenderam, sinal de atar cintos, comandante falou pra ter calma... e eu dormindooooooo. zzZZZZZZZzzzz

Se fosse o meu dia de morrer certamente iria acordar nos braços do papai do céu, sem nem saber o que aconteceu!

Foi quando uma delas falou: “Débora, os desodorantes devem ter explodido!!!”

Bom... Dois meses depois eu ainda passava pela minha amiga perguntando: “E aí? Explodiu???”

domingo, 18 de janeiro de 2015

Ele é uma figura...

Diário de uma cearense que tem um marido típico... 

Eu não sei porque ainda me impressiono, mas depois de tanto tempo já deveria estar acostumada...

Meu marido é uma figura... 

Se eu pedir pro marido fechar a porta de casa antes de ir dormir há 50% de chance de a porta continuar aberta.

Se eu pedir pro marido que traga um filé pra fazer pro almoço eu agradeço a Deus se ele chegar qualquer outro pedaço de carne de primeira... 

Se eu pedir pro marido comprar pão ele até compra, mas virá qualquer tipo de pão (pão de leite, de coco, integral, de batata, de queijo...)

Se eu pedir pra ele pegar uma roupa pra mim ele irá trazer qualquer coisa. Mesmo que eu já tenha deixado tudo separadinho dentro de uma bolsa. Ele vai conseguir trazer outra coisa.

Se eu fizer uma escovinha no cabelo ele vai perguntar se eu pintei de loiro. Se eu depilar a sobrancelha ele vai dizer que tem alguma coisa assustadora no meu rosto.

Se eu uso uma roupa antiga que estava guardada há uns dois meses ele vai dizer "roupa nova, hein?"

Se ele diz que vai preparar o jantar, então eu posso esperar qualquer coisa. Desde churrasco, sem qualquer guarnição, ou fígado com jiló, ou patê de atum ralado com katchup. Ou, pior, mistureba de leite de soja com nutren de chocolate, granola, aveia e café...

Agora se ele diz que vai ao supermercado comprar ingredientes pra fazer um prato especial... Aí eu tenho certeza de que eu quem vou preparar tudo. Ele sempre volta com a conversa de que está muito cansado e de que eu preparo melhor que ele.

Se é pra andar de bicicleta e quando completar 15 km eu disser que quero voltar pra casa, ele diz que eu sou muito preguiçosa.

Se é pra viajar, ele não quer gastar dinheiro, mas quando eu me proponho a pagar ele sempre faz despesas fora do orçamento (com meu dinheiro, né?).

Se eu to de mau-humor ele vai perguntar mil vezes a mesma coisa, só pra eu responder igual ao Seu Lunga... Depois ele ficar usando a minha resposta pra mangar de mim.

Ele é capaz de usar sapato e cinto brancos. Ele usa camisa de botão listrada a pano passado, com bermuda xadrez e sapato social... E se for de manhã completará o look com um chapéu qualquer.

Ele usa bermuda coladinha com modess pra fazer trilha de bike... 

Ele gosta de música antiga. 

Ele come buchada, panelada, sarrabulho.

Ele espreme alho e limão na comida. Qualquer comida.

Ele come carne com café e pão...

Ele não bebe café forte, ele hidrata o pó de café e come! Kkkkkk

Se está praticando um esporte novo, durante os próximos meses, ele vai comprar todos os acessórios necessários e desnecessários. Pra depois pedir pra eu vender tudo pela internet...

Ele é realmente uma figura. No mínimo exógena. 

Acho que é por isso que me faz tão feliz.





 

The time stop, the life vira uma song...

Diário de uma cearense adolescente "traduzindo" musicas pro inglês com uma amiga baiana...

Este episódio é em homenagem a minha amiga Roselany Martins (Rosa), que não é cearense de nascimento, mas é de coração.
 
Eu e a Rosa tínhamos uma gíria própria é um talento natural pra inventar as coisas... e hoje ainda (quase 20 anos de amizade) relembramos nossas criações com muita risada. Pra você ter uma ideia ela me chamava de "D", e eu a chamava de "Moto, mas isso é assunto pra outra história.

Quando ela ligava pra mim sempre vinha com a mesma pergunta enigmática... "D, adivinha o que é que eu tenho?" 
Pra essa pergunta só tinha três respostas possíveis: fome, sono ou sede! E as vezes poderia ser mais de um ao mesmo tempo...

Quando queremos desejar uma coisa boa uma pra outra sempre temos que usar a palavra "refrescante"... Não me lembro bem da origem disso, mas sempre deu certo. Até hoje, no dia do seu aniversário, eu mando uma mensagem desejando que ela tenha um dia refrescante. 

Nota: desejar algo refrescante é como profetizar a plenitude da felicidade. Não há nada melhor pra se desejar pra alguém... Nenhuma palavra tem significado mais completo. Principalmente no dicionário particular da nossa amizade.

**** a partir de agora o estilo literário será ajustado para o título deste texto ****

Acho já que tínhamos uns 15 ou 16 anos, ou um pouco menos, quando entramos nesse business de translate songs.

Era very important fazer isso... Um desafio bem particular. Nosso work era aos weekends, normalmente na house uma da outra. Quando entrávamos no nosso world era impossible fugir do desafio. Principalmente porque temos um gosto muito aguçado por desafios. I bealive, inclusive, que somos a dupla mais competitiva que conheço.

Mantínhamos rotinas diferentes, because concorrer uma com a outra era uma fight cruel. Eu sing, ela play guitar and bass. Eu ia pro ensaio do coral, ela ia pro ensaio da dança... Ela tinha somente sisters e eu tinha somente brothers...

Mas translate songs era um assunto only nosso. Nobody poderia interferir. Se fizesse isso uma de nós diria que não combinava, não dava certo e que a nossa versão era muito the best...

A primeira, e ainda acho que foi a única, música que fizemos uma versão pro inglês foi a que irei write abaixo. Look if you consegue identificar:

When the love touch the heart
Traz one sentimento
Mais big que the passion
Basta one look, one touch, nada mais
Pra to make me happy como only you me make

God uniu as nossas lives de one vez
E every day é other day other vez
Como no first look 
Nada never go mudation (minha parte preferida)
No go mudation...

When the love touch the heart
The time stop, the life vira uma song
E no have nada mais better que I love you
I never go perder you
Foi God quem me deu you
Is like To have a dream

E o grande final:
And Nerver sleep no....

Minha irmã de 12 anos quando ler isso aqui vai achar super mega tosco, mas eu confesso que ainda tenho dias refrescantes cantando a nossa versão desta música.














sábado, 17 de janeiro de 2015

Bike sem freio, garota sem juízo

Diário de uma cearense que já caiu muito...

Até posso dizer que sou dura na queda... as marcas que carrego comigo demonstram isso.

Tive vários episódios de acidentes com bicicleta, desde a minha infância. No entanto as duas piores situações aconteceram na vida adulta.

No episódio de hoje vou contar uma delas. Espero que você ria bastante. Agora, lembre-se, aconteceu de verdade!

Eu estava fazendo um trabalho de campo. Tinha que fazer umas visitas entre o Antônio Bezerra, o Quintino Cunha e Jardim Iracema. Os bairros são adjacentes, mas era um percurso de 5 km. Eram 14h de um dia de sol escaldante (em Fortaleza não é novidade)...

Quando cheguei na primeira visita, após fazer toda a pesquisa necessária, pedi ao senhor que me atendeu que me emprestasse uma bicicleta.

Ele ia me acompanhar até o próximo cliente e tinha perguntado se eu queria uma  carona na bicicleta dele. Eu retruquei e solicitei uma outra bicicleta pra que eu mesma guiasse. Embora já tivesse pegado carona de bike aquele não era bem o dia adequado pra isso.

Agora vamos explicar como era a situação: Bicicleta: grande, com a sela alta (não houve tempo pra ajustar). De ferro, modelo masculino, sem marcha... sem freio!
Eu: baby look (daquelas que quando você senta ela sobe), calca saint-tropez (daquelas qie quando você senta desce), sandália plataforma, bolsa tiracolo pesada. E uns quilos de sobrepeso.

Começamos nossa viagem. Pegamos a Av Cel. Carvalho e dobramos na Av. Independência.

Enquanto isso eu me alternava na dança "pedala-sobe-calça-desce-blusa-puxa-bolsa"... sincronizada e estrategicamente sequenciada.

Pegamos uma rua transversal em que o asfalto era coisa linda de se ver... bem novim! Tinha acabado de ser feito. Mas o que a rua tinha de nova tinha de íngreme.

E eu na minha dança, na descida da rua nova...

Me dei conta de que era necessário incrementar um passo que ficou fora do planejamento.  O freio!

Todo mundo sabe que bicicleta sem freio se freia com o pé, né? Foi o que eu fiz. Só que um detalhezinho de nada encerrou o meu roteiro do dia.

Freiar com o pé não é uma boa ideia. Principalmente quando se está de sandália plataforma. E pior ainda se a sandália está meio frouxa e ela inventa de entrar no aro do pneu da magrela.

Sabe o que pode acontecer se você fizer o que eu fiz? Você pode cair igual a uma jaca, quicando no asfalto novo.

Eu bati a cabeça, o ombro, o joelho... e o rosto ardia pra caramba. Era eu e o meu amigo chão numa conversa cheia de atrito.

O senhor que me acompanhava correu em meu auxílio. Me levantou do chão, me ajudou a me recompor e perguntou o que eu estava sentindo. Para não deixar o pobre homem ainda mais preocupado digo pra ele que está tudo bem...

E realmente estava... acho que pela adrenalina não estava sentindo a dor que o meu estado físico parecia demonstrar. Pra mim eram apenasleves escoriações... nada demais. Até que... o homem fala uma frase que mudou a minha percepção. Ele diz: "Não se preocupe, você ainda está linda!"

Foi nessa hora que meu mundo caiu. Por que ele está dizendo isso? O que aconteceu? Será que estou deformada? Será que quebrei o nariz? O que será que me aconteceu?

Procuro o primeiro sinal de espelho pra tentar ver a situação... a coisa estava feia mesmo. Meu rosto era só a carne viva... metade do meu rosto tinha ficadono chão. Metade do asfalto ficou no meu rosto. E ao saber disso comecei a sentir a dor da queda.

Passei um bom tempo pra me recuperar. E uns dois anos pra voltar a pedalar... e, depois dessa, ainda tenho outras quedas pra contar!

Éramos heróis e vivíamos em cabanas

Diário de uma cearense que curtiu na infância...

Este texto é em homenagem as minhas lindas amigas Bárbara Pinho (Barbie) e Karine Brito (Kaka). Porque foi conversando com elas que surgiu a inspiração. E aos meus maravilhosos irmãos, quem sempre me incluíram na diversão.

Bem, não quero me ocupar do cliché para dizer que as brincadeiras da minha época de criança eram mais legais que as das crianças de hoje. Acho que cada época tem o seu encanto e cada um vive como a sua criatividade permite. 

Brincar, no meu idioma, era alguma coisa semelhante a criar um momento de fantasia. Era como sonhar acordada... como materializar aventuras impossíveis. Era quase como ser Lucas Silva e Silva no seu Mundo da Lua. (Se você não lembra é porque não assistia a TV Cultura na década de 90).

Eu, menina, criada entre meninos (meus irmãos), não poderia ser exigente quanto à delicadeza das diversões, nem conseguia levá-los para uma realidade mais feminina. Eles me acolhiam no seu universo paralelo e me tornaram membro ilustre do "clube do bolinha".

Era pra brincar de super herói... eu poderia ser a Change Marmeid, a Mulher Maravilha, a She-ha... a escolha era sempre minha, sem concorrência.

Um de nós era capturado pelo malvado e asqueroso Guiodai (com seu olho gigante e seu super poder se fazer crescer os monstros). Enquanto que os demais deveriam planejar o resgate do companheiro aprisionado.

Outras vezes éramos a tripulaçãode uma nave espacial que estava numa missão intergalática. A velocidade da luz era acionada em alguns dos "botões" ultramodernos feitos de peças de jogo de tabuleiro. A direção da nave era controlada pelo mais ergonômico aparelho de controle de rotas. Um pino de boliche de plástico amarelo. E a nave era de luxo... com uma aerodinâmica apropriada para qualquer dano (as camas dos meus irmãos juntas)...

Ninguém poderia sair da nave. Caso isso acontecesse um jacaré  (isso mesmo, um jacaré espacial) poderia morder aquele que saísse.

Pra ir ao banheiro era necessário falar as palavras mágicas de ordem, que eliminaram os poderes do Jacaré. Poderia ser "pausa a brincadeira", ou "bandeirinha". Ou mais comum "eu to café-com-leite".

Nota relevante: se usasse o termo "bandeirinha" era necessário manter os dedos cruzados, do contrário estaria desprotegido da camuflagem da "bandeirinha". Kkkkk

Poderíamos ser irmãos, primos, qualquer coisa que fosse. Na brincadeira sempre nos refeririamos aos outros como AMIGO. Mas não era como se diz "amigo" na vida real. Na vida da brincadeira o som dessa palavra era quase "amigououou". E valorizava as frases, como: " Amigouu, eu vou te salvar, amigououou!"

Não importa o gênero. No mundo da brincadeira todos eram "amigou".

Acho que o que a minha mãe mais se chateava era com as brincadeiras de acampamento. Não acampamento em camping. Acampamento era na sala de jantar, ou na sala de estar ou ainda na garagem. Poderia ser em qualquer lugar com espaço para cadeiras, lençóis e colchão e muiiiita bagunça.

Fazer as cabanas, ou barracas, para abrigar os exploradores do safari levava alguma mão de obra. Tanto que algumas vezes eu cheguei a aproveitar o intervalo da brincadeira pra dormir na cabana, cenário da aventura.

Éramos polícia, bandido, reis, príncipes, ricos, pobres, aventureiros, atletas... éramos o que a imaginação inocente nos inspirava. Sendo o que fosse não deixávamos de ser Amigous uns dos outros. Exceto quando a brincadeira era de artes marciais.

Ri alto agora. Lembrei que a brincadeira começava como uma luta quase coreografada, ou um espelho de golpes. Mas se alguém, mesmo sem-querer, acertasse o outro... menino, a peia comia feio! Aí, pouco tempo depois a brincadeira acabava e o castigo começava...

De tempo em tempo eu volto pro mundo da imaginação. Faço um pequeno tour por lá pra me recordar como era ser o que quisesse ser... depois eu volto pro meu mundo real e agradeço a Deus por ter conquistado tantos mundos,  tantos títulos e tantas aventuras!

Continuo a brincadeira, continuo usando a criatividade, continuo imaginando mundos impossíveis... continuo sendo capaz de tudo o que quiser!

Vamos brincar?

"E agora? Quem poderá me socorrer?"

Diário de uma cearense em busca de ideias!

Se você está lendo este texto é porque você sabe que eu tenho um blog-diário. Que não é escrito diariamente, mas contém situações que foram vivenciadas.

Vivenciadas, mas nem sempre literalmente como foram escritas (pitadas de exagero dão um gostinho especial). E nem sempre são as minhas experiências, porque o que acontece com os outros também faz parte da minha vida! Aqui conto causos e coisas que mexem comigo, com o objetivo de registrar a vida. De não deixar a lembrança apagar.

Às vezes são lembranças engraçadas, às vezes são pensamentos e insights, às vezes são sentimentos... Bom, reflete esta minha mente meio confusa. Envolvida no caos do dia-a-dia...

Por estes dias eu estava pensando num plano infalível pra aumentar o volume de acesso diários (curiosamente já tive mais de 500 acessos em um único dia, só que foi um outlier). Obviamente que estratégias toscas passaram pela minha cabeça... Como estas:

1. Fazer um concurso de compartilhamentos. 
Legal! Mas considerando a liseira normal de qualquer começo de ano eu não teria nenhum prêmio vantajoso pra oferecer. Por isso estou solicitando patrocínio! Quem se oferece?

2. Distribuir folhetos 
Mas estou sem dinheiro pra contratar pessoas pra me ajudar a distribuir, e sem tempo pra que eu mesmo distribua.

3. Usar a técnica dos vendedores de bombom em ônibus:
"Eu poderia estar estudando, eu poderia estar malhando, eu poderia estar dormindo... mas estou aqui humildemente pedindo a sua ajuda para compartilhar na sua time line os textos do meu blog..."

4. Usar uma camisa com o endereço virtual do blog.
Fora do orçamento... sem grana!

5. Outdoor
Putz... seria massa! Mas eu já falei que estou sem dinheiro?

6. Entrar em blogs de outras pessoas e colocar cometários nos textos chamando pra ler meu blog.
Acho que é possível! Mas acho que seria a chata do blog... :(

E a opção top: 

7. Escrevo em sua homenagem!
Você sugere um tema para um texto. Eu analiso se tenho alguma história legal sobre o tema que você sugeriu e publico no blog, citando a sua participação.
O texto que tiver mais acesso até o carnaval de 2015 será o campeão!

Que tal?



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O absorvente - 11 fatos nostálgicos

Diário de uma cearense nostálgica.

Hoje, na hora do almoço, não sei bem como começamos a falar sobre absorvente, mas começamos.

Éramos cinco. Quatro mulheres e um homem... E o assunto foi versado sem considerar a condição masculina do intruso, ou melhor, do não usuário.

Todas as garotas fizeram comentário sobre situações vexatórias associadas à necessidade do uso mensal desse dispositivo de conteção de sangramento das partes baixas associadas ao público XX.

Não poderia ficar sem comentar, então expus a minha maçante experiência vivencial de pelo menos 23 anos desde a primeira vez que fui acometida pela realidade da vida fértil das mulheres. Óbvio que exagerei, mas o que falei foi muito próximo da realidade. Não da realidade de hoje, mas da realidade da década de 90.

Então seguem alguns fatos relevantes sobre o absorvente e o final do século passado:

1. Comprar absorvente era vergonhoso. Não sei se por causa da timidez em relação a condição nova, o se porque os pacotes de absorvente eram do tamanho dos pacotes de fraldas descartáveis.


2. Absorvente só existia no modelo "sem abas"... toda mulher sabe o que isso significa!!!

3. Hoje existem vários tipos e tamanhos. Tem o fino, o ultrafino, o noturno... antigamente só tinha o ultra-tijolo. Os dispositivos eram tão grandes, mas tão grandes, mas tão grandes que pra usar um troço desse sem que todo mundo soubesse exigia da mulher um esforço hercúleo e uma expertise de alto nível. Do contrário a impressão era a de estar usando uma bermuda de ciclista.




4. Se você conviveu com mulheres na idade fértil nessa época você deve lembrar que era muito mais comum que aqueles malditos acidentes de sujar a roupa.

Então as mulheres tinham uma vez por mês um acesso de tique nervoso. Sempre, ao se levantar, era importante fazer uma rotação de 180 graus no pescoço e inclinar a cabeça pra parte traseira inferior, a fim de checar se estava tudo dentro do planejamento.

Interessante que havia mais solidariedade entre as meninas. Você sempre poderia contar com a sua amiga pra que ela "discretamente" observasse pra você, sem que o contorcionismo fosse necessário.

5. Era um mito e um tabu dizer que usava absorvente interno. Se você dissesse isso era quase uma declaração de que a menina não era mais "moça"...

6. O malfadado tijolo saía do canto. Tinha o poder mutante de se deslocar.

7. Os absorventes de hoje tem de 3 a 5000 camadas absorventes, com textura "suave", "seca" ou "super seca". Os absorventes de antigamente tinham de 3 a 5000 camadas adstringentes, com textura que variava de fabricante pra fabricante entre "borrado", "melecado ou "lascou-se". Você não era "sempre livre", nem "confiante" e muito menos estava "protegida". A regra era ficar "Sempre Alerta"...






8. Você não era feliz "naqueles dias" com "aquela coisa". Não dava pra ser. Isso sempre foi uma grande mentira.

9. Os absorventes não eram embalados um-a-um. Você tinha que ter uma bolsinha gigante dentro da bolsa pra garantir pelo menos um absorvente reserva, para evitar os imprevistos. Se uma amiga tua pedia um absorvente era o caos. Na hora de tirar da bolsa e entregar pra ela era uma missão digna de espião de filme da série 007.

10. Porque eles não eram embalados da forma como são hoje havia uma maior pré-disposição para ficar inutilizável, dependendo da exposição aos fatores temporais. Cheio de poeira e marcas de dedos, pra ser mais claro.

11. Usar absorvente era vergonhoso, comprar absorvente era humilhante...  hoje, nem tanto! Pode servir até como uma comunicação não verbal indicando que não há zigoto se instalando pelo útero.

De fato, são muitas as conclusões que se pode fazer sobre os absorventes de antigamente. Fique à vontade para contribuir com a sua experiência. Será super bem-vinda!

Eu tinha mais casos pra citar... mas agora eu tô bem atrasada... Então #partiu!




 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Obesa? Se um dia fui não me lembro... capítulo 5

Mais um plano infalível...

A busca do tão sonhado peso ideal nos trouxe aventuras inesquecíveis.

Um belo dia meu marido decide que devemos fazer uma atividade física juntos. E ressalta a sua paixão por bicicletas. Decidimos que estava na hora de comprar as nossas bikes e botarmos o plano de ação em prática.

Só que aa coisas de Daniel são coisas de Daniel... a maioria de vocês imagina que fomos pesquisar preços das melhores bikes pra ciclistas amadores e depois de exaustivamente buscar a melhor opção compramos aquela que tinha o melhor custo x benefício...

Mas não foi bem assim... Mozim, vulgo Daniel marido, me levou pro Bom Jardim (famoso Good Garden,  um dos bairros mais tranquilos de Fortaleza, sqn). Conforme seu planejamento, perto do Posto Carioca  haveria de ter uma ótima opção de compra.

Ele não queria gastar muita grana. Então, depois de algumas lojas, encontramos as bichinhas... de ferro, sem marcha, sem nada! As duas por menos de R$ 200. Quase duas cargueiras pra aproveitar o ensejo e fazer algum bico como entregador nos tempos livres.

A empolgação não nos deixou perceber a roubada que estávamos entrando.

Mal chegamos em casa, desmontamos o transbike, vestimos roupinhas de ginástica, cada um com uma garrafinha de água fresca e partiuuuuu... ganhar a rua!

Até então eu lembro de gostar muito de andar de bicicleta. Só não lembrava que a última vez que tinha feito isso não estava pesando quase 90 kg.

O nosso primeiro fantástico passeio de bike terminou em menos  de 10 minutos.
Foi tempo suficiente pra ter uma fadiga muscular, conseguir estourar o joelho, estropiar a lombar, ficar sem ar como um asmático e uma taquicardia infernal.

Daniel não se convenceu da péssima aquisição. Então resolveu colocar  as marchas nas bichinhas... o que melhorou sensivelmente. De quase R$ 200 gastamos quase R$ 500 em acessórios.

Ainda fazemos passeios de bike, pelo menos duas vezes por semana, mas hoje temos bicicletas de vergonha... mas até chegarmos a estas foi muito sofrimento!

Histórias sobre bikes eu tenho várias... Então aguardem os próximos capítulos!

domingo, 11 de janeiro de 2015

Obesa? Se um dia fui não me lembro... capítulo 4

Das invenções pra emagrecer...

Precisava a todo custo fazer uma atividade física que me motivasse. Sempre tive uma dificuldade fisiológica em praticar exercício... a minha pouca vitalidade não permitia.

Bem, um dia acordei com uma ideia fenomenal, pra não dizer o contrário. Lembrei do quanto gostava de patinar quando era adolescente.

Esta época eu morava perto de um dos maiores supermercados do estado. E lá tinha um estacionamento subterrâneo perfeito.

Comprei os patins, acordei cedo (tipo 5h00) e fui pro supermercado patinar.

Iludida com a fantástica solução pros pneus que guardava no abdômen que esqueci que eram 4 quarteirões até lá. Havia um trajeto não muito auspicioso pra se percorrer.

Cada passo com o patins novo na calçada eram avisos de que não daria certo. Mas eu continuei firme. Teimosa!

Cheguei ao estacionamento. Cansada. E mal dou umas poucas passadas ouço o barulho de um apito. Nem liguei... Não deveria mesmo ser pra mim, e por quê seria? Talvez por ser a única pessoa no estacionamento vestida de doida numa madrugada...

Era pra mim mesmo. O segurança se aproximou. Me deu um carão... fiquei com vergonha e fui criar outro espaço para meu exercício.

Era cedo, então o movimento de carros na avenida não era grande. Imaginei que dava pra brincar na rua mesmo... e fui!

Segundos depois alguma coisa gigante passa buzinando pra mim, óbvio! Só poderia ser pra mim...

Era um ônibus. O motorista malvado grita: "ei gordinha, quer morrer?"

Bom... foi nesse dia em que eu desisti de emagrecer andando de patins...

Mas essa foi apenas uma das ideias infalíveis. Depois tem mais!

Fossa, TPM e zumbido... Deu não!

Não lembro bem quantos anos tinha, mas acredito que tenha sido depois dos 18. O que lembro bem,  na verdade, foi da experiência que tive durante um final de semana diferente.

Era uma época em que estava sofrendo de amor... estava passando por uma desilusão platônica, das piores que se possa imaginar. A tristeza era visível, não tinha como disfarçar.

Os amigos me encorajavam... e sempre era um alívio ouvir suas palavras.

Certa feita, uma amiga minha (qua amo muito) me convidou pra um final de semana na praia, com uma galera da igreja dela.

Eu nem pensei duas vezes. Na época não tinha Facebook, mas se tivesse teria escrito #partiu #praia #diversão... quem sabe até um gatinho por lá! Que tal um novo amor pra curar o coração partido!

Fiz minha mala (mochila com itens básicos) e fui ao encontro da minha amiga pra seguirmos viagem até a casa de veraneio numa das mais belas praias do litoral cearense.

Então começa a decepção.

1. Não era casa de praia. Era apartamento de praia.

2. O apartamento acomodava confortavelmente umas 10 pessoas. Éramos umas 30.

3. Não era a "galera da igreja". Eram todas as meninas da voz fina do mundo todim concentradas no meu metro quadrado.

Já era noite e como nunca fui fresca logo arrumei um cantinho pra minha rede na varanda, pedindo a Deus que nesse lugar tão pouco aconchegante eu tivesse paz.

Foi uma experiência intrigante. Percebi que conversa de mulher (muitas conversando ao mesmo tempo) tem um som que lembra uma convenção mundial de muriçocas. Era um zumbido no meu pé do ouvido irritante. A noite inteira.

Entre um cochilo e outro era um "mimimi"... afff!

Quando o sol levantou no outro dia eu já estava no ponto do ônibus a caminho pra Fortaleza... Ninguém me viu sair!

Depois liguei pra minha amiga avisando do meu retorno. Agradeci o convite e completei falando que não tinha nervos pra tanta tpm.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Quase um homenzinho

Acredito que por ter crescido rodeada de homens me tornei uma garota mais prática, objeitva e racional que muitas das mulheres que eu conheço.

Minha noção de delicadeza e fragilidade foi contaminada pela convivência com os meus irmãos. Não acho que tenha sido ruim, de certa forma me ajudou a ver as coisas com mais clareza. 

Diversão era brincar na rua com os garotos. Carimba (ou queimada), sete-pecados, polícia-ladrão, pega-pega, esconde-esconde... Fazíamos roda de vôlei pra jogar 3 toques. Andávamos de bibicleta, patins... 

E não tinha esse negócio de aliviar pra mim. Nunca fui "café com leite"... Se a punição era levar sabacu era isso o que eu levava. Nada de moleza... Até porque meus irmãos não conseguiam entender o porquê de ser diferente comigo. Inclusive, se eu caísse tinha que me manter forte, do contrário perdia a fama de valente... Corredor da morte... Fichinha!

No vídeo-game não podia vacilar também! Ficava treinando sozinha quando ninguém estava por perto, só pra ganhar de todo mundo (o que nem sempre acontecia).

Boneca? Casinha? Fazer comidinha? Pra quê??? Muito chato. Queria mesmo era correr, pular, patinar, brigar... 

Coisas tipicamente de mulherzinha não eram tão divertidas, eram melosamente desencantadoras pra mim. Sacal, sem emoção, sem vida, sem paixão, sem... Legal mesmo era brincar como menino e voltar pra casa com os pés e as mãos sujas, o joelho com mais uma raladura, os cabelos suados e a roupa perfeita pra uma propaganda de sabão em pó! Só tinha graça assim.

A coisa mais feminina da minha diversão era brincar de amarelinha, pular corda (tinha que cantar a música do homem que bateu à porta...), rebolar com bambolê (o desafio era começar no pé e subir até o pescoço sem a ajuda das mãos). E o mais legal, o elástico, aquele que tinha dois milhões de variações fantásticas, capazes de fazer qualquer menina uma contorcionista.

Vejam só, até meus 16 anos eu não usava maquiagem, isso era bobagem... Camisa de algodão, tênis e jeans eram companheiros pra qualquer compromisso. A máxima era o conforto. Cabelos amarrados e com muito creme de pentear. Sobrancelhas assustadoramente cheias de falhas.

Foi mais ou menos por esta época que comecei a mudar. Mas só externamente... :) aprendi a ser uma donzela, de salto, vestidinho e maquiagem... Unhas e sobrancelhas mais cuidadas. Me fantasiava de mocinha pra esconder a molequinha! Mas ela estava lá! E ainda está! E vai continuar.

Porque é isso o que sou. Uma moleca que curte uma boa diversão... 

Invocado que eu percebo com mais clareza essa estranha forma de me comportar quando eu me comparo com a minha irmã mais nova, que este mês completa 12 anos. Quando olho pra ela vejo uma linda e meiga garotinha. Delicada, sensível, carinhosa, romântica... Absurdamente diferente de mim! 

Imagina que hoje enquanto ela lê "A Culpa é das Estrelas" eu, na idade dela, lia "O Escaravelho do Diabo", e todos os livros de ação da coleção Vagalume. Aghata Cristhie era minha companheira de aventura... 

Enquanto ela usa o computador pra ver vídeos de maquiagem, músicas da sua boyband favorita eu jogava Civilization, Age of Impires e Carmem Sandiego...

Olha só, o esporte dela é ballet, ginástica rítmica... Eu fiz vôlei, basquete, joguei futebol no colégio, andava de patins de bicicleta... 
São diferenças, apenas. Nada de melhor ou pior. Apenas preferências! 

Depois de adulta é que esse aprendizado me ajuda mesmo. Não tenho dificuldade em compreender o mundo masculino. Na arte de equilibrar razão e emoção, que é sempre um desafio feminino,  meu lead time é menor. Gosto das ciências exatas, mas gosto das não exatas também. Tenho um planejamento acertado pros próximos cinco anos, que deve ser levemente afetado por algum arroubo de diversão (viagens, esporte novo, livro que me chama atenção)...

Já não sou mais criança, mas mentenho uma alma de menino, jovem e livre. Que ainda deseja ganhar o mundo todinho numa aventura de bicicleta, ou de patins... Que ainda se espanta com o novo, como numa brincadeira de investigação... Que curte perguntar "porque" bilhões de vezes... Que se arrisca em saltos, sem muito medo de arranhões.

Ah! Os arranhões continuam sendo os troféus que carrego. Não são cicatrizes, são histórias!








domingo, 4 de janeiro de 2015

Obesa? Se um dia fui não me lembro... Capitulo 3




Sabe aquele ditado que de gênio, médico e louco todo mundo tem um pouco? Pois é... Intuitivamente eu acredito que a minha concentração de "louco" é maior que os outros dois fatores.

Realmente eu fiz muita loucura pra emagrecer. Muita loucura... Algumas que não me orgulho nem um pouco, outras, pelo que vocês já devem ter notado, são mais hilárias que eficientes!

As loucuras que escrevo pra vocês sobre minha luta contra a obesidade retratam realmente a minha experiência. Estas são as estratégias que eu projetava todos os dias. Me sentia como o Cebolinha chamando o Cascão pra mais um plano infalível contra a Mônica... Ou como o Cérebro, falando com o Pink, que era o dia de conquistar o mundo. 

É um paradoxo, mas até os mais céticos buscam freneticamente por pequenos milagres que facilitem a vida. Digo isso porque por muitos anos eu fiz tudo o que eu poderia fazer pra ter um peso saudável, menos o que realmente era necessário ser feito... Olha que louco?! 

Uma vez estava ministrando um curso sobre gestão numa empresa de engenharia. O tema do dia era Padronização. E fiz, como sempre faço, algumas analogias da teoria com exemplos corriqueiros. Especialmente neste dia eu falei do meu planejamento diário (padrão) pra manter o peso. 

Disse que pelo menos 5 vez por semana eu acordava antes das 5:00 da manhã pra fazer exercício. À época era Muay Thai e musculação. E me alimentava de três em três horas... Além de outras medidas.

Como sempre, uma enxurrada de perguntas sobre "peso" começaram a surgir... Já estava voltando pro tema da aula quando um dos engenheiro da turma me fez uma pergunta que nunca mais saiu da minha cabeça. "Qual é o segredo pra levantar todos os dias nesse horário e seguir o seu planejamento?"

Me intrigou profundamente. Qual o segredo, Débora? Tem que ter... Tem que ter... Por favor diz que tem! Esta era a leitura que fazia da pergunta... 

Ainda meio intrigada eu olhei pra ele e disse: "porque você quer um milagre? Porque você quer uma estratégia? Porque simplesmente você não decide e vai? Vou te contar o que eu faço. O segredo de tudo é levantar quando o despertador toca. Pronto!"

O grande milagre de qualquer coisa que se quer fazer é focar no foco! E o foco é o seu objetivo!
É muita loucura esperar por milagre. É muita loucura achar que um dia você vai acordar e do nada vai ser ou ter tudo o que sempre quis... É muita loucura achar que não precisa se esforçar pra atingir o resultado... 

Meu marido é farmacêutico. Imagina se peço pra ele criar uma fórmula qualquer de um fitoterápico... Crio uma embalagem, coloco uma foto minha de antes-depois, faço uma campanha publicitária qualquer dizendo que perdi 35 kg em 6 meses apenas tomando 2 comprimidos com 1 litro de água antes das refeições... Ia ganhar uma grana boa. Não iria? Depois escreveria uns livros de auto-ajuda, com dicas de superação. Depois um dvd com dicas de exercícios pra afinar a cintura... E a grana vinha, tenho certeza!

Algumas pessoas iriam comprar, mas nunca iriam usar. Outras iriam usar e conseguir algum resultado só com o efeito placebo... Que louco! 

É meio insano, mas nós tomamos medidas insanas... A ilusão de conseguir o objetivo de forma fácil, sem esforço, sem planejamento, sem sustentabilidade só gera frustração, perda de tempo e gasto desnecessário de dinheiro.

Já viu quantas pessoas se matriculam em academias e nunca vão? Fazem uma dieta com o melhor profissional de nutrição da cidade, mas nunca seguem a dieta? Será que é só pra tirar o peso da consciência? (Trocadilho infame, não é?)

E, pra completar, imagina que algumas medidas milagrosas estão dando certo... A pessoa conseguiu perder já 40%-50% da meta em tempo recorde! O que ela faz??? 

Ela faz o óbvio! Vai na confeitaria mais próxima e compra um delicioso brownie de nutella com refrigerante. Afinal de contas, é necessário comemorar um resultado tão espetacular!

Aí, só sendo doido mesmo!





sábado, 3 de janeiro de 2015

Obesa? Se um dia fui não me lembro... capítulo 2

Estar obeso, ou ser obeso, torma você um alvo de algumas mentes maliciosas. Talvez seja porque é mais fácil acertar quando o target tem tamanho XXG.

Você entra numa loja e a vendedora te olha com desprezo e diz: "aqui, senhora, só até o número 42". A criatura nem sabe o que você quer e já te expulsa.

Você sai pra fazer uma refeição. Escolhe o prato. Um prato normal, que a maioria das pessoas da mesa estão comendo. Aí algum desavisado olha pra você e pergunta: "vai comer isso?"... Você responde: "Não. Comprei foi pra ver mesmo! Por que?"
Então, sem noção, a pessoa te passa uma informação importantíssima: "é porque isso aí engorda!"

Ohhhh! Grande diferença... tudo engorda! Mas só se diz isso pra quem já é gordo.

Você está se matando de fazer exercício na academia. Só que no seu ritmo (mais lento)... óbvio que pára mais vezes pra descansar (até porque gordo também cansa). Nessa hora algum ridículo vai olhar pra você e pensar: "olha aí a preguiça, desse jeito não vai emagrecer nunca."

Não entendo porque isso mexe tanto com as pessoas. Não deveria. É um estigma muito cruel.

Agora ser ou estar gordo tem suas vantagens... Tem que ter alguma? Né? Minha nutricionista vai me odiar agora... mas é só uma brincadeira!

1. Você ocupa mais espaço, então sempre te oferecem a cadeira da frente no carro.

2. Você não precisa mostrar que segue as tendências da moda. Na verdade, vestir uma roupa tem tudo a ver com conforto.

3. Quando alguém te xingar você pode dizer: "pra quem é gordo tem jeito. E tu que é feio?"

4. Não precisa inventar desculpa pra aquele brinquedo radical que você tem medo.  Seu peso será maior que o permitido.

5. Você pode detonar a sobremesa da geladeira. Vão sempre colocar a culpa em você mesmo!

6. Alguém trará guloseimas pra você experimentar...

7. Quem anda com você realmente gosta de você... e pronto! Não interessa quanto veste, ou se ultrapassa o limite da balança.

8. Você nunca será feio. Sempre vai ser muito fofo!

9. Mas a maior de todas as vantagens, a maior mesmo, é que se um dia você decidir, e conseguir, emagrecer certamente se tornará uma lenda. Todo mundo vai te elogiar pra sempre. Dirão "você é forte. Você é guerreiro. Você me inspira..." coisas assim!!!

Confesso pra vocês que ser ex-obesa é muito divertido! Óbvio que o melhor seria manter sempre um corpo saudável, mas não tive muita maturidade pra isso.

Mesmo assim mantenho comigo algumas fotos de outrora, só pela satisfação de ouvir "meu Deus como você está bem!"

E olha bem, isso não é pra qualquer um!

To be continued...

Obesa? Se um dia fui não me lembro... capítulo 1

Antes
Depois

Diário de uma ex-obesa... ou de uma portadora de obesidade crônica em tratamento!

Hoje, 03/01/15, completo 4 anos de vida nova. E nem parece que já faz tanto tempo.

Eu nunca publiquei minha saga pra emagrecer, mas por hoje ser um dia muito especial eu vou contar uma historinha pra vocês.

Quero deixar claro que não recomendo pra NINGUÉM as loucuras que fiz. Obviamente porque foram loucuras de uma criatura desesperada... o que indico, e que faço hoje pra manter o peso, é reeducação alimentar, prática de atividades físicas regulares, hábitos saudáveis e busca constante por  equilíbrio... isso é que torna uma vida sustentável.

Bem, minha relação com a obesidade começou na adolescência, após os 14 anos. Antes disso eu era uma garota com peso saudável.

Não sei bem o que me fez começar a engordar... não sei se as mudanças de hábito, não sei se foram o excesso de estimulantes de apetite (era muito magra e não gostava de comer quando criança, pode?), não sei se as mudanças hormonais, ou o fato de ter parado de crescer nesta idade... ou devido à crises de ansiedade... sei lá!

Ou ainda devido a outros fatores que não tinha nem noção que poderiam existir, muito menos na minha pessoa, como o hipotireoidismo e a narcolepsia... bom, mas não é a questão do momento. O fato é que dos meus 14 anos para os meus 18 anos de idade eu engordei uns 27 kg. E de 18 anos para os 28 anos mais uns 10 kg... totalizando 37 kg e IMC maior que 38. Era uma criaturinha de 1,54 m e 90 kg. Frequentemente apelidada de tronquinho de amarrar onça! Entre outros apelidos carinhosos!

As pessoas me avisavam que eu estava ganhando peso, mas eu não conseguia enxergar isso... o que eu notava de diferente em mim eram os tamanhos das roupas. De resto, estava tudo normal... acho que fiquei meio míope na época, mas de fato não entendo o porquê de tanta falta de noção. De certa forma foi bom, porque até eu começar a sofrer com a obesidade eu não me sentia obesa.

Bom... eu comecei a perceber o meu tamanho quando já tinha uns 18 anos... primeiro ano de faculdade! Espantosamente o que me abriu os olhos pro meu peso foi o fato de ter que usar roupas normais pra ir pra aula. Era acostumada com a farda do colégio... e agora teria que usar as minhas roupas. Consequentemente as roupas passaram a desgastar mais rápido. E tinha que comprar roupas novas mais rápido... e eram sempre números maiores! Meu ápice foi quando comprei uma peça G numa loja de tamanhos especiais (surtei)!

Obviamente eu tentei de tudo pra emagrecer... Fiz a dieta da sopa (não aquela que "se der sopa eu como"), fiz a dieta zero carboidrato (no terceiro dia estava desmaiando). Fiz a dieta do abacaxi (em uma semana eu tinha mais aftas na boca que dentes), a dieta detox...

ihhhh! Teve a dieta do suco de limão em jejum. Aquele que você tem que ser meio jedi em matemática, porque cresce por dia em PA de n=1 até chegar a 10, depois regride em PA de n=-1. Suco sem água, sem açúcar, somente com o sumo fresco da fruta. No vigésimo dia você não tem mais paladar, nem mais língua, nem mais estômago.

Tomei a maioria dos shakes pra perda de peso que existem no mercado, dos mais caros e conhecidos, pros mais baratos e sem fama.

Dieta dos pontos, dieta de líquidos... dentre outras!

Nutricionistas e academias eu conheço várias... Esteticistas também!

Pra piorar a situação tomei muito medicamento também... Desobesi, Sibutramina, Xenical, Lipbloc, quitosana... Teve uma bomba manipulada que tinha de tudo, desde ansiolítico a inibidor de apetite e diutérico. Tomei chá de todas as cores... e com 20 milhões de ervas diferentes! Cada um fez efeito no início (numa delas perdi mais de 14 kg em dois meses), mas depois eu engordava tudo de novo e mais um pouco.

Efeito sanfona não me definia mais. Eu era a própria sanfona...

Inventava de comer em pratos menores, dormia sem comer... várias e várias e várias estratégias sem sucesso.

Uma das experiências mais deprimentes, e que até pouco tempo não tinha compartilhado com ninguém,  foi quando eu descobri, por meio de uma matéria na tv, que existia um grupo que se reunia pra discutir suas experiências e trocar idéias. O nome do grupo era, literalmente, Obesos Anônimos. Se reuniam na capelania de uma igreja católica conhecida em Fortaleza, nas tardes de quarta-feira, acho.

Nunca gostei de perder oportunidade. Poderia ser esta a minha salvação! E olha que era uma grande quebra de paradgma pra mim... pois criada em lar evangélico tradicional, eu somente tinha entrado em igrejas católicas para prestigiar alguns casamentos. Tinha medo que alguém me visse entrando lá e me caboetasse... iria ficar de castigo? Hoje tenho certeza que não. Mas era melhor ser discreta!

Eu saí de casa de mansinho, sem avisar pra ninguém, e fui conhecer o grupo... foi a experiência mais incontestavelmente esquisita que tive sobre compartilhar experiências sobre obesidade. Não por causa do local, até porque não se discutiu absolutamente nada em termos de fé... mas porque me senti num AA, ou NA...

Imagina a cena... éramos uns 20, sentados em círculo, num pátio aberto. Tinha um líder que direcionava a dsicussão. Ele pediu que cada um se apresentasse, dizendo o nome, a idade, o peso, se declarasse obeso em tratamento e comentasse o que tinha acontecido na semana...

Alguém levanta a mão e começa: "Oi, meu nome é Antônia, tenho 35 anos, 98 kg. Obesa em tratamento e só por hoje não vou comer um brigadeiro"... Ao que todos respondiam: "Oi, Antônia!". Ela continuava o seu discurso: "Esta semana eu caí em tentação. Foi o aniversário da minha amiga e tinha uns docinhos lindos. Eu pensei que não fizesse mal comer só um"... neste momento ela começa a chorar, e eu também!

Depois dela cada um falou um pouco, até chegar a minha vez. Falei qualquer coisa que inventei na hora... e fui embora pra nunca mais voltar! Saí de lá mais deprimida que entrei. O depoimento daquelas pessoas mexeu comigo, pois foi quando percebi o quanto eu era igual a eles. O quanto vivia lutando sem muito sucesso pra conseguir vencer a balança, e além disso, o quanto me sabotava o tempo todo...

Algumas vezes, ao lembrar dessas experiências, começo a rir sozinha... ou conto pra alguém poder rir comigo.

Foram momentos tristes, mas foram momentos de grande aprendizado... e de histórias ridículas, hilárias! Eu me aproveito delas sempre que posso.

Acho que ser gordinha me ensinou a ser feliz. Você já viu um gordinho que não fosse legal? Ou que não fosse divertido? Pense bem!

A história não termina por aqui... ainda teremos outros capítulos! Até porque nem comecei a contar como consegui perder peso! Agurde! Grandes micos virão!

To be continued...