domingo, 1 de março de 2015

Paradigmas e paradoxos


A palavra paradigma vem do latim paradigmum... Mentira! Já ia criar um novo paradigma pra você. De fato, paradigma é a palavra que define tudo o que se torna padrão a ser seguido, um modelo a ser repetido, uma verdade estabelecida...  

Mas os paradigmas devem ser questionados. Quebrar um paradigma já é uma grande quebra de paradigma, o que nos leva aos paradoxos. E são os paradoxos que geram as reflexões, que, por sua vez, geram novos aprendizados. E que, por consequencia, definem novos paradigmas... Os quais serão questionados um dia. 

Paradoxo é uma opinião contrária. Uma visão diferente do padrão. 

Há paradigmas que contém verdadeiros e sutis paradoxos. Vejam: "toda unanimidade é burra." Este é uma paradigma meio paradoxal. Pois, se toda unanimidade é burra esta também o é.

Outro paradigma paradoxal bem conhecido de todos: "tudo é relativo". Não, nem tudo é relativo. Talvez esta afirmação faça o pobre do Einstein se retorcer no caixão. Quando ele desenvolveu a teoria da Relatividade ele queria falar sobre o tempo e espaço, e que estes são relativos e estão entrelaçados. E que esta relatividade depende de referenciais inerciais ou não inerciais (acho)...

Então poderemos considerar que os paradoxos estão contidos em paradigmas que apresentam dentro de si mesmos a sua própria contradição.

A minha proposta pra hoje é a de refutarmos sobre alguns poucos paradigmas e encontrar os paradoxos por trás deles. 

Paradigma 1: "Não gosto de trabalhar com pessoas. Pessoas são complicadas e dão trabalho."

Ainda bem! Se as pessoas não fossem complicadas e não dessem trabalho seria mais difícil desenvolver tantos avanços na psicologia, medicina e tantas outras ciências. 

E ainda, as pessoas que dão trabalho são as quem movem a economia. Geram emprego e renda... Olha que maravilha! 

Paradigma 2: "O resultado foi bom. Ficamos na média."

Sério? Ficar na média é bom? Sempre? Concordo que há coisas que é realmente melhor manter dentro da média, como os indicadores de exames de sangue. Colesterol, glicemia...

Mas percebo que, para alguns assuntos, as pessoas tem um certo pavor de estar fora da maldita média. Somos ensinados a ter medo de ser diferente. Embora sejamos estimulados a sermos melhores em tudo. 

Vejo que buscamos uma melhoria contínua  na qual o limite vai até a média. Porque, se passar disso o fim é ser rotulado como o diferente. E ser diferente é não ser aceito. 

As pessoas da média temem o diferente. Pra média o bom é estar na média, se comportar como a média... Ser mediano como a média.

Por isso criamos tantos preconceitos... Qual o problema em ser diferente? A resposta está em pensar que o diferente me faz refletir. Refletir me incomoda, porque percebo novas verdades. Essas novas verdades me fazem tomar uma decisão dentre duas opções. Ou aceito a nova verdade e mudo meu comportamento (o que é mais difícil), ou me torno alheio e omisso à nova verdade. 

Esta última decisão é perigosa, porque começo a entender o diferente como um inimigo, que sem querer me expõe à minha mediocridade. Ninguém quer perto de si alguém que esteja o tempo todo o lembrando o quanto se está na média.

Eis o paradoxo. Lutamos para ficar na média, mas odiamos estar nela...

Vou parar por aqui, por hora, mas deixo uma pergunta com você. Quais são os paradigmas paradoxais da sua existência?



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