segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O início


Diário de uma cearense que gosta de escrever...

Lembro de gostar de escrever desde que aprendi a escrever. Meus primeiros diários foram ainda na infância. E eu já tinha uma linha clara de pensamento e uma habilidade de expressar isso em papel.

E não era só de escrever que gostava, adorava ler. Ler de tudo. Até rótulo de shampoo (mania que ainda conservo). Ler era a oportunidade que eu tinha de descobrir o mundo... E pense que nesse tempo as maiores fontes de leitura eram as bibliotecas do colégio, as revistinhas em quadrinhos e as coleções de enciclopédias Barsa (ainda existe?)... Me deleitava em descobrir cada mistério da ciência, e do detetive Hercule Poirot.

Tinha alguns estímulos positivos pra este meu gosto. Primeiro a herança do gosto pelas letras que vem desde o meu avô (Seu Zé Paulo), do meu pai e de demais outros que tem isso no sangue da família... Segundo estímulo foi a igreja. O estímulo eclesiástico à leitura das Escrituras Sagradas, ao conhecimento da Bíblia, e muitas vezes a necessidade de ler tantas vezes quantas fosses necessárias para absorver cada letra da santa palavra. Inclusive até, em certos momentos, poder recitar para um público que certamente já teria lido mais que você.

O terceiro estímulo relevante foi a convivência com as minhas melhores amigas do colégio. Obviamente estou falando da Cecília e a Luana. Duas doidas de pedra... Assim como eu! Nos conhecemos na quinta série, em 1993 (eita, menino... Desenterrei!), num colégio que nem existe mais.

Eu, Cecilia e Luana tínhamos uma competição velada. Na verdade, a disputa era entre elas duas... Eu me aproveitei porque acabei gostando da brincadeira. Foi assim que devorei a Coleção Vagalume inteira, os clássicos da literatura, as Aventuras de Aghata Cristhie... De quebra aprendi o "jogo do contente" com a Poliana... A Droga do Amor, a Droga da Obediência... Boas lembranças...

A Moreninha era o meu romance predileto. Meu escritor do coração era o Érico Veríssimo. O triste  O Quinze, a crítica em O Auto da Compadecida... Morte e Vida Severina. Pântano de sangue, A Marca de uma Lágrima... E muitos outros que nem lembro mais.

Bom, mas não era de leitura que eu tinha que falar, mas de escrita...
Eu era extremamente introspectiva, temerosa e tímida. O mundo não era capaz de entender os meus sentimentos... E eu não saberia nem mesmo como vocalizar as minhas emoções. Então eu recorria ao meu diário. O primeiro era rosa Pink, com cadeado e capa fofinha e cheirinho de morangos. Lá eu guardava os meus segredos de menina. E, que, por falar em guardar, por mais bem escondido que estivesse os meus irmãos pimentinhas sempre encontravam uma forma de encontrar.

Nesse diário ficaram muitas lembranças boas, muitos sonhos, muitas angústias e lágrimas... Era meu confidente. Tinha nome e tudo... E eu falava com ele, sempre! Até um dia que, não lembro o porquê, abandonei o hábito de conversar com meu amigo diário. Acredito que muito pelo medo de alguém encontrá-lo e conseguir ler a minha alma nele. 

Era o meu momento. Era quando eu me encontrava comigo e conversava sobre os enigmas da vida. E a ninguém eu teria dado o direito de saber... De conhecer, de questionar. Naquele diário eu era absoluta. Eu estava certa, tinha coerência... Não tinha que justificar, embora o fizesse, não tinha que me esconder... Eu não tinha medo de ser eu.

A última vez que me lembro de ter escrito algo forte sobre mim nessa época foi em forma de uma poesia. O título era O Muro da Solidão. Meio piegas este título, não é? Mas faz sentido pelo que estava escrito. 

Era um muro que tinha na Av. Padre Antônio Tomaz, próximo ao trilho. Era baixo, branco, desgastado e único. Destoava do resto do cenário, mesmo sendo invisível. Ele estava ali, ninguém olhava pra ele. Quem olharia? Tantos prédios ao redor... Tantos carros bonitos passando... Ele estava lá. Só... 

Hoje eu percebo que este muro era uma representação da minha própria angústia. Da minha solidão e da insegurança que tinha. Na época eu achava que era só um muro mesmo... Um muro que me chamava atenção.

Eu inscrevi a poesia no concurso literário da escola. Ganhei o primeiro lugar. E esta foi a minha breve ascenção como escritora. Embora ganhar o prêmio me deixasse feliz, ver meus amigos do colégio lendo o texto e brincando com as palavras nele me pareceu absurdo. Tinha tanto sentimento naqueles versos... Era minha alma sendo exposta, meu mundo sendo descoberto. Meus segredos estavam desencriptados nas mãos de todos... 

Pra minha raiva eu rasguei todas as cópias do texto e parei de escrever por um bom tempo. Que pena! 

Voltar a escrever é uma libertação. Minha alma clama por isso. Às vezes sinto que preciso vomitar as palavras, que elas precisam ser ditas, ou escritas... Do contrário me sufocam, me engasgam. 

Há dias em que escrevo com leveza, há dias que com pesar... Há dias que eu mesmo solto gargalhadas, há dias em que escrever me ajuda a chorar... Porque eu sou assim. E lendo o que escrevo aqui você está lendo a minha alma, está conhecendo o meu coração. 

Hoje permito que todos leiam, pois não temo mais! Não me escondo mais, não me subestimo mais...

Espero que este meu diário traga pra você alguns bons momentos, e quem sabe até consolo, esperança, amor, vida... Paixão, vontade de vencer!

É o que ele faz por mim! É o que eu desejo pra você!


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